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Portal Competência

9 de agosto de 2013
Fernando Botto


Você prefere um chefe direto ou aquele que doura a pílula?

Conheça um pouco mais a personalidade dos executivos através de seus estilos de comunicação

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Uma das lições preciosas que tive para lidar com chefes de várias nacionalidades e múltiplas personalidades (às vezes contidas na mesma pessoa), foi compreender uma categorização de três tipos de personalidade de executivos comuns nas organizações: o batalhador, o auxiliador e o crítico.

Certa vez, numa reunião de feedback – de mão-única – diga-se de passagem, ao mencionar ao diretor geral que as condições de trabalho eram inadequadas para o salto de qualidade desejado, ouvi como resposta “não me interessa o quê você vai fazer nem como fará. Se você é fraco e quer desistir, desista. Se você não suporta pressão, nem devia ter vindo trabalhar por aqui. Só não faça como fez o teu antecessor. Ele veio à minha sala com sentimentalismo achando que eu ia ficar com pena dele. Não tive pena. Pelo contrário! Achei ele um derrotado e o mandei sair da minha sala e voltar para o Brasil, porque aqui não era lugar para gente fraca.”

É claro que saí atordoado da reunião com aquelas palavras e confesso que aquilo mexeu muito comigo. Eu me senti profundamente surpreso com aquele tipo agressivo de comunicação e não esperava tomar uma bofetada daquelas apenas por mencionar uma fundada insuficiência de recursos para cumprimento de metas. Felizmente, na década de 60, Richard W. Wallen escreveu algo que me ajudou a interpretar tal fato: eu estava diante de um executivo de perfil “batalhador”.

O perfil afetivo de comunicação do batalhador é caracterizado por uma dualidade: “aceito agressão e rejeito afeto”. Tais características estão presentes tanto na sua condição de falante como na de ouvinte. Por incrível que possa parecer para muitos, o que o meu antigo chefe queria me dizer era: “não se abata com as dificuldades. Elas fazem parte do meio onde você se encontra e quem vence os desafios daqui, estará preparado para enfrentar desafios em qualquer parte do mundo. Levante a cabeça e siga em frente. Ao invés de se queixar, trabalhe! Seja criativo e mostre-me do que você é capaz!” Aliás, aquele chefe teria dito isso se o perfil dele fosse o auxiliador, que aceita bem as abordagens afetivas e rejeita a agressão. Um terceiro perfil, o crítico, seria um tipo que não aceita nem afeto, nem agressão, pois seu estilo se concentra na análise da argumentação lógica para decidir.

É bastante comum nos depararmos com esses tipos de executivos nas organizações e a habilidade a chave para lidar de maneira produtiva com cada um deles reside no desenvolvimento de nossa inteligência interpessoal. Esta dimensão da comunicação, intimamente relacionada ao desenvolvimento da nossa sensibilidade, nos permite nos relacionar melhor, com menos conflitos e com maior assertividade.



Fernando Botto

É palestrante, professor e escritor. Psicólogo e Advogado, mestre em Educação, pós-graduado em Direito e Negócios Internacionais e especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise. Morou seis anos no exterior, principalmente na África, onde atuou como executivo de empresas privadas e consultor de empresas públicas. Nesse período, interagiu com variadas culturas e diferentes estilos de chefia, liderança e de gestão. Aprecia trabalhos de responsabilidade social e desenvolve projetos nas áreas de educação corporativa, sobretudo relacionados à negociação, liderança, comunicação intra e interpessoal, gestão de equipes de alta performance e criatividade. Em suas horas de lazer, gosta de fotografar e de escrever roteiros de stand-up comedy. Twitter:@fernandobotto e-mail: fernandokwz@gmail.com