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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Samuel Marques


O que você faria no meu lugar?

Comente aí…

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Todo consultor conta suas histórias de sucesso. Mas estou desafiando a cultura, seguindo o “estilo Facebook”, onde só se conta o sucesso para contar uma história de fracasso. E preste atenção na minha história de fracasso, pois eu quero saber o que você faria se estivesse em meu lugar.

No ano de 2005, o meu programa de educação financeira na montadora Volvo ganhou repercussão entre os profissionais de RH da cidade de Curitiba. Havia sinais, comprovados mais tarde por pesquisas, de que a vida financeira organizada funciona como preventivo de turn-over, ferramenta para melhoria do clima organizacional e de retenção dos talentos.

Foi nesta época que minha amiga e consultora de comunicação Célia Chueire conseguiu agendar um horário para mim com a gerente de RH – que vamos chamar de Mônica – de uma indústria importante, com mais de 2 mil empregados.

Antes da reunião, passei na casa da Célia para tomar um café e agradecer pela indicação. Na saída, ela colheu um lindo botão de rosa em seu jardim e pediu que eu levasse para a amiga com quem eu estaria em mais alguns minutos.

Naquele momento, eu não vi problema em levar o botão de rosa. Mas no estacionamento da empresa me vi caminhando para a portaria com a intenção de me reunir com uma mulher, estando com um botão de rosa na mão.

Como isto será interpretado? Será que Mônica é casada? Ou pior… será que o marido dela trabalha aqui, nesta empresa?

Este pensamento me paralisou. O plano era fechar bons negócios e não apanhar de marido ciumento. E pra explicar o olho roxo em casa? Eu tinha que fazer alguma coisa. Voltei para o carro e tirei quase tudo da minha pasta estilo 007, acomodando lá dentro com muito cuidado a preciosa encomenda.

Passei pela portaria como um verdadeiro agente secreto, carregando em segredo algo muito importante. Aguardei alguns instantes no hall dos escritórios. A recepcionista me ofereceu café e água. Mas antes que eu pudesse terminar a minha água, a Mônica chegou sorridente.

- Então você é o consultor financeiro que a Célia Chueire indicou?

Sim! Esse cara sou eu. O indicado. Uau! Como é bom ter “QI”. As reuniões sempre são melhores quando um colega muito competente indica a gente. E aproveitando que o assunto era a nossa amiga em comum, ao entrar na sala dela eu anunciei:

- A Célia mandou um presente para você que eu guardei com todo cuidado.

Abri minha pasta na certeza de que fecharia um grande negócio naquele dia. Tirei o botão de rosa da pasta e vi a Mônica ficar pálida. Ela reagiu mal e eu não sabia como reagir diante da reação dela. Nem o que pensar e muito menos ainda o que dizer.

- Você colocou a minha rosa dentro da pasta?

Foi o único comentário que ela fez tomando a flor da minha mão e saindo desesperada para buscar um vasinho. Depois pediu para a secretária que trouxesse água com açúcar. Eu fiquei mudo. Ficar calado deveria ser melhor. Afinal, se ela ficou indignada ao ver a rosa saindo da minha pasta, poderia me matar se soubesse do motivo que me levou a colocá-la ali.

Quando finalmente ela conseguiu colocar a rosa num lugar seguro, longe do maníaco asfixiador de flores, nós começamos a reunião. E não preciso dizer que em questão de segundos eu escorreguei da confortável posição de “alguém provavelmente legal, indicado pela minha amiga” para o mármore do inferno onde fica “alguém definitivamente sem noção e insensível, que tentou destruir o presente enviado pela minha amiga”.

Educada, ela me ouviu com atenção. E disse até logo.

Novamente em Curitiba, cinco anos depois, eu encontrei as duas amigas na estreia da minha peça de teatro “Dívidas Nunca Mais”. Nos divertimos relembrando esta história e a Mônica me garantiu que não fez a contratação em razão da cultura vigente na empresa.

Mas até hoje, quando eu penso nas razões que impediram o negócio, eu culpo um botão de rosa.

E agora quero saber a sua opinião: o que você faria se estivesse no meu lugar?

Comente aí…

Grande abraço.



Samuel Marques