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Portal Competência

21 de agosto de 2014
Samuel Marques


A vida imita a arte?

Reflexões sobre o filme Amor por Contrato

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Que tal um filminho leve, quase uma comédia romântica, que te ajude a refletir sobre finanças pessoais? Parece perfeito? Pois esta é a proposta do filme “Amor por Contrato” (“The Joneses”, 2009, com Demi Moore e David Duchovny). Caso você ainda não tenha assistido, recomendo que passe duas horas do seu final de semana em frente a TV com uma boa pipoca em mãos.

O filme conta a história de uma família de classe média alta, que vai morar no melhor condomínio de uma pequena cidade norte-americana e evolui, mostrando como os hábitos de consumo deles são influenciados pelos novos vizinhos.

O pai indica o melhor taco de golfe, a mãe recomenda produtos de beleza e o casal de filhos logo influencia o batom, o celular e a bebida dos colegas de escola. Aos poucos, os hábitos da pacata cidade interiorana vão se conformando ao padrão daquela família linda, chique e descolada.

Mas existe uma característica deles que todos desconhecem: a família é uma farsa. Os quatro membros são vendedores bem treinados e a empresa de marketing que os contratou, monitora o desempenho das vendas dos produtos informando regularmente os resultados de cada item que a família divulga “apenas” com o seu estilo de vida.

O  casal se finge de apaixonado e oferece presentes caríssimos um ao outro; os filhos vão à escola, frequentam festas, mas no fundo estão influenciando os colegas a usar novos produtos sem que ninguém perceba a diferença entre uma ação de venda e um bom bate-papo depois da aula.

É claro que eu não vou contar o final, espero que você assista ao filme, mas vou contar a minha sensação ao término da experiência. Senti que a situação retratada é perfeitamente possível e deve ter sido baseada em fatos reais ou na vontade de muitas empresas de fazer algo semelhante.

Logo depois, imaginei algo ainda pior do que alguém aceitar o trabalho retratado no filme: alguém fazer isto de graça, sem ninguém pedir, sem ganhar nada em troca.

E não é exatamente isso o que vemos acontecer todos os dias? Aposto que seu filho já lhe pediu o celular, o tênis ou a mochila que “todo mundo tem”. Aposto que alguém lá na escola está fazendo este trabalho de influenciar os hábitos dos coleguinhas, defendendo um produto, uma marca ou aparelho e não está ganhando salário pra fazer isto.

Sem falar nas redes sociais onde as pessoas postam fotos de “momentos felizes” que na verdade nem eram tudo aquilo. Outro dia, um amigo postou fotos de uma viagem demonstrando toda a felicidade que viveu por lá. Quando nos encontramos ele contou que a viagem foi horrível e que não recomendava o destino pra ninguém.

“Como assim pra ninguém?”, eu pensei. E os seus 742 de amigos do Facebook que ficaram morrendo de inveja da viagem (inclusive eu)? A gente não conta?

É meu caro, a família falsa de hábeis vendedores está por toda a parte. Fazendo um ótimo trabalho a favor de um consumismo desenfreado. Vendendo a ideia de que mais compras e mais produtos significam mais felicidade. E quem não quer ser feliz?

Só sei que este filme renovou minha dúvida: a vida imita a arte, ou a arte imita a vida? Neste caso, fiquei sem saber quem imita quem…

 

P.S. Este artigo foi escrito num Ultrabook de última geração :)

Mentira, foi numa máquina de datilografia.



Samuel Marques