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Portal Competência

28 de julho de 2014
William Ramalho


Tecnologia na aprendizagem

Como o apoio da tecnologia ao aprendizado evoluiu para contribuir efetivamente com o desenvolvimento das pessoas

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Fim da década de 90 e, a partir da proliferação da Internet, o e-learning surge como uma avalanche para atingir as estratégias de capacitação e desenvolvimento nas organizações.

O método evoluiu o conceito da educação à distância e do CBT (Computer Based Training), que era o aprendizado via CD-ROM, já em computadores.

O e-learning acrescentou ao CBT a velocidade de transferência do conhecimento, pela WEB, a lugares dispersos geograficamente. E qual a primeira percepção das organizações ao observar este cenário? Redução de custos, com o ganho de escala.

Agilidade, dispersão geográfica e baixo custo fomentaram, em empresas com grande capilaridade, a adoção do e-learning.

Mas logo as precipitações foram notadas, pois as empresas, equivocadamente, passaram a priorizar o meio de desenvolvimento ao objetivo de aprendizado.

Além disso, algumas circunstâncias não eram favoráveis ao novo método.

Diferente das Redes Sociais, que surgiu numa época de plena proliferação dos dispositivos tecnológicos e ascensão dos nativos digitais, o e-learning surgiu num período em que a Internet não era tão popular e as pessoas ainda resistiam ao uso de computadores, por receio, desconhecimento ou simplesmente por não gostarem. Os desenvolvedores de e-learning eram poucos e desses poucos, a maioria era especializada em tecnologia e não em educação. A rede não era tão veloz como é hoje e as soluções de e-learning acabavam por perder em qualidade para não prejudicar a transmissão. Apesar da possibilidade de ganho financeiro de escala, o investimento inicial em soluções mais eficazes era bastante alto em função da baixa especialidade no mercado. Além de tudo isso, os acadêmicos da época eram contrários à metodologia, pois não viam nela o mesmo potencial de educação possível com o professor em sala de aula. Resultado: o e-learning passou a ser comparado com o ensino presencial e dividiu as opiniões.

Porém a tecnologia continuou sua evolução e adentrou outros setores do mercado global. A velocidade de transmissão aumentou consideravelmente. Negócios passaram a ser viabilizados pela Internet. Entretenimento foi inserido na WEB. A Internet transformou-se numa rede colaborativa. Ou seja, o ambiente social ampliou suas fronteiras para além do mundo presencial e as pessoas passaram a interagir e “conviver” na WEB.

As facilidades e atrativos da WEB invadiram, naturalmente, o mundo do ensino. A produção de soluções de aprendizagem barateou. As tecnologias atuais permitem que o conhecimento seja facilmente produzido.

Em soluções mais elaboradas, recursos tecnológicos sofisticados são implementados sem a preocupação de incorrer em baixa performance na rede.

Professores perceberam a oportunidade de compartilhar conhecimento, material, informações em ambientes colaborativos na rede, facilitando sobremaneira a distribuição, recuperação e atualização do material. Surgiu ainda o conceito da produção coletiva de conhecimentos por intermédio de ferramentas de redes sociais, como wikis e blogs.

Por fim, a tecnologia móvel possibilitou o acesso ao conhecimento em qualquer local, a qualquer momento.

Fato é que hoje a tecnologia ocupa seu espaço adequado na educação, ou seja, a tecnologia apoia o aprendizado.

Ao definir uma estratégia de desenvolvimento profissional nas organizações, há a necessidade de analisar a oportunidade de inserção de recursos ou soluções tecnológicas para tornar o programa mais eficaz. Hoje, ao invés de perguntar se o curso deverá ser presencial ou virtual, a pergunta correta é: qual a melhor composição para a demanda?

A resposta poderá ir desde a simples circulação de um arquivo digital por e-mail até os mais inovadores e complexos programas que mesclam sala de aula com jogos de negócios, games online, comunicação digital, práticas de retenção e compartilhamento de conhecimento.

Combinar diferentes métodos e meios de desenvolvimento leva a organização à capacidade de gerar soluções personalizadas. Num mundo com pessoas cada vez mais individuais em suas necessidades e aspirações, essa capacidade de gerar múltiplas soluções é essencial.

E a tecnologia é acessível e inesgotável para contribuir com esse processo. Cabe a partir daí, a concentração na qualidade do conhecimento que será disseminado.

O grande aspecto positivo da evolução da tecnologia na aprendizagem é que, apesar de soluções transformadoras, não houve ruptura. Há sim uma continuidade evolutiva, onde novos métodos complementam os existentes e não os substituem.

Algumas tendências são alvo de estudos atuais sobre tecnologia na aprendizagem, tais como:

  • Redes Sociais na aprendizagem, que possibilita o aprendizado coletivo, rápido acesso e proliferação do conhecimento e a flexibilidade das pessoas construírem seus próprios caminhos para aprender;
  • Big Data, como estratégia para coletar e organizar o conteúdo fragmentado, oriundo de diversas fontes conhecimento;
  • Smartificação, com a popularização dos dispositivos móveis e a melhoria da velocidade do acesso remoto, que gera oportunidade de produzir soluções para mobile;
  • Experience API (Tin Can), para rastrear e registrar informações sobre atividades informais de aprendizagem na rede;
  • MOOCs, que proporcionam acesso massivo a cursos abertos.

Mas o que recomendo é que todas as tendências sejam alvo de estudos cautelosos, observados sob o contexto da organização.

Na onda da personalização, o que é bom para alguns pode não ser para outros.



William Ramalho

William Ramalho é Gestor na Sabesp, atualmente responsável pela Universidade Empresarial Sabesp e professor do Senac em cursos de pós-graduação em Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento. Possui 22 anos de vivência na área de RH com experiência em projetos de Capacitação e Desenvolvimento; Gestão do Conhecimento; Educação a Distância e Tecnologias Interativas para Desenvolvimento de Pessoas; Sucessão e Carreira; Avaliação de Competências e Desempenho; Redes Sociais; Gestão de Portais; Recrutamento e Seleção; Informações e Indicadores; Qualidade de Vida; Responsabilidade Social, dentre outros. Possui MBA em Gestão Empresarial, Pós-Graduação em Recursos Humanos, Especialização em Gestão do Conhecimento e Graduação em Tecnologia em Processamento de Dados. Realizou ainda curso de extensão em Metodologia para Ensino Superior e Tutoria em E-Learning. Foi considerado Top Five na categoria Jovem Talento em RH (Prêmio Top of Mind/2010). Ministra cursos e disciplinas presenciais e à distância desde 2009, além de ser palestrante e consultor em Gestão de Pessoas e de Negócios.