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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Carla Virmond Mello


E se os políticos fossem gerenciados por competências e desempenho?

As empresas não têm competências, cidades e governos também não, são as pessoas, os seus governantes que exercem competências para fazer o seu melhor

Competencia

Em tempos de eleição e acompanhando as notícias políticas e debates de candidatos no país, fiquei pensando que, para ser político, algumas competências deveriam ser obrigatórias… Talvez seja mania de quem pensa em competências e gerenciamento do desempenho todos os dias trabalhando com executivos nas organizações.

Mas, e porque não? Político há tempo deixou de ser dedicação a uma causa, para se tornar uma profissão e, diga-se de passagem, bem remunerada! Além disso, eles têm um grande número de chefes e acionistas, pena que pouco exigentes quanto aos seus resultados. Talvez sejamos condescendentes por falta de processos ou políticas no gerenciamento do desempenho e no estabelecimento de indicadores de performance e KPI’s como chamamos na iniciativa privadas.

Hoje é praticamente um imperativo que todas as empresas saibam atrair, desenvolver e reter talentos e que esses tenham foco nos clientes e stakeholders, orientação para resultados, saibam trabalhar em equipe, tenham capacidade de relacionamento e maturidade para aprender e ensinar, garantindo assim a perpetuidade do negócio; e que, sendo líderes, saibam o momento em que devem sair, preparando seus sucessores.

Quem está acostumado com a vida corporativa sabe que ninguém contrata sem antes saber que perfil é necessário para fazer o quê, e na sequencia, o que se espera é que as expectativas e necessidades do cliente e do negócio sejam atendidas senão, esta pessoa será substituída por outro. Demitida! Simples assim.

As empresas não têm competências, cidades e governos também não, são as pessoas, os seus governantes que exercem competências para fazer o seu melhor, aportam conhecimento, habilidade e atitudes adequadas para a posição que ocupam e são avaliados quanto ao seu desempenho. Portanto, não seria pedir muito, que nossos representantes políticos passassem por periódicas avaliações de desempenho, por feedbacks 360º (em que todos avaliam todos), levantamento de clima organizacional, programas de treinamento e desenvolvimento e que tivessem também planos transparentes de carreira e sucessão.

Precisamos aprender a usar a liberdade e ser cidadãos proativos nesta construção, reforçando um sistema meritocrático, justo e de qualidade. Cada um assumindo a liderança que lhes cabe de forma participativa e responsável pelo bem comum, isso para mim é sustentabilidade humana.

Remuneração? – Meritocrática, participação nos resultados. Utilização de recursos? – Auditaditorias independentes e um bom sistema de compliance.

Muita pressão? Trabalhar sobre pressão seria mais um pré requisito para ser político, aliás comum nas empresas e já bem adotado pelos profissionais da iniciativa privada, gritos e murros sobre as mesas fazem parte de um passado nada saudoso. Infelizmente, estas atitudes ainda são comuns nas discussões políticas.

É… Fico na dúvida se a coisa está feia porque está mais visível, ou se está mais visível porque está mais feia! Melhor acreditar que muitos desses “chefes e acionistas” – também chamados cidadãos – estão se levantando e assumindo finalmente seu lugar, estão preocupados com o uso dos seus recursos, estão preocupados com a sustentabilidade de sua nação.

Recentemente os candidatos do primeiro turno em minha cidade, ainda que por meio de seus representantes e vices, assinaram uma carta compromisso com a transparência municipal, nos jogos olímpicos e Copa do Mundo, além do compromisso com o desenvolvimento de forma sustentável. A Carta Compromisso foi assinada durante o evento nacional “Copa, Olimpíadas e Eleições: qual é o legado para a sua cidade?” – parte do programa Cidades Sustentáveis. O documento na íntegra e a lista de candidatos signatários podem ser vistos aqui: http://www.cidadessustentaveis.org.br/carta



Carla Virmond Mello

Diretora da consultoria Lee Hecht Harrison|DBM para região sul do Brasil; Consultora de Carreira e Coach Vice-Presidente da International Coach Federation – Capítulo Paraná.