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Portal Competência

6 de agosto de 2014
Eline Kullock


Reverse Mentoring com a Geração Y: Um aprendizado de mão dupla

É normal que esses jovens tenham muito a aprender, mas é preciso assumir a existência do inverso

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Muito se fala sobre a importância de fazer mentoring e coaching com a geração Y, porque é normal que esses jovens tenham muito a aprender. Mas é preciso assumir a existência do inverso: a geração Y tem muito a ensinar às anteriores. Ainda que esse movimento pareça estranho aos mais conservadores, ele tem nome e sobrenome: “reverse mentoring“.

O tema, inclusive, já é discutido fora do Brasil, como no artigo de Wendy Marcink Murphy “Reverse Mentoring at Work”. Até mesmo Jack Welch, quando era presidente da General Electric, em 1999, anteviu esta tendência e desenvolveu um programa no qual os mais jovens ensinavam os mais velhos.

Lendo isso, você pode estar se perguntando: o que podemos aprender com os mais novos, além da tecnologia que eles, sem dúvida, manejam com mais facilidade? Na minha opinião, eles podem nos ensinar sobre seu próprio universo, muitas vezes impenetrável para os mais velhos. Com eles, podemos desvendar, por exemplo, o modelo mental dessa geração, suas tendências de comportamento e de consumo, além das especificidades da sociedade, de forma geral. Além disso, eles podem também ensinar sobre a concorrência e contribuir muito nos mostrando sua visão de futuro.

Mas, se esse movimento “pegar”, nossos gestores estão preparados para aprender com os mais jovens? Eu acredito que não, e que isso é uma tarefa para a área de Recursos Humanos. O RH pode ajudar promovendo encontros com a geração Y, para mostrar que ela tem uma visão talvez mais adequada sobre o futuro, para explorar a mentalidade dos jovens ou memso para entender como observam o mundo e o comportamento das próximas gerações. Essa troca pode ser de grande valor para o mundo corporativo.

Outra vantagem a ser explorada: por conta do hábito de jogar videogame, a geração Y está mais acostumada a tomar decisões rapidamente. Em um mundo no qual a tomada de decisão é muito importante, no qual ser o primeiro na mente do consumidor é essencial (vide as experiências do Facebook, do Waze, dos aplicativos de táxi etc), os jovens têm muito a nos ensinar.

Considerando que estamos na era da “Sociedade da Tomada de Decisão”, eles certamente aprenderão melhor que os mais velhos a fazer escolhas cada vez mais complexas. Quando fiz 20 anos, pude comprar meu primeiro Fusca. Usado, claro, mas ainda assim, um Fusca. Não havia escolha. Quando queríamos assistir a um canal de TV, tínhamos quatro ou cinco opções, no máximo. Hoje, quando uma pessoa compra um carro, quantas opções têm? Se ela precisa de um telefone celular, entre quantos modelos pode eleger o seu? O mundo está muito mais rico nesse sentido. Assim, os nativos dessa sociedade do “muito” estão acostumados com a velocidade e as opções desse novo mundo, e podem ensinar bastante a quem viveu na época do “pouco”.

Para aproveitar ao máximo essa troca, que pode ser vantajosa para todos os lados, é preciso entender e incorporar a possibilidade do reverse mentoring. Estar aberto a essa nova possibilidade é o primeiro passo. Somente quando estivermos convencidos do valor dessa interação é que poderemos persuadir nossos superiores hierárquicos.

As empresas que embarcarem nessa jornada têm mais possibilidade de sucesso. Vão promover, além de tudo, uma relação saudável entre as gerações, permitindo um convívio mais harmônico, no qual todos saem ganhando.



Eline Kullock

Eline Kullock formada em administração de empresas pela FGV-RJ e MBA Executivo pela Coppead – UFRJ. Iniciou a carreira na diretoria da Mesbla Loja de Departamentos, onde atuava como Diretora de Recursos Humanos, Planejamento Estratégico e Organização. Eline também foi diretora da Servenco, na holding que congrega empresas de construção, incorporação, administração de imóveis, Hotelaria e Administração de Shopping Centers. Com diversas palestras ministradas no Brasil e no exterior, a profissional é reconhecida com uma das principais fontes nos temas ligados à Recursos Humanos, além de desenvolver pesquisas sobre o comportamento dos jovens e a influência dos videogames em sua atuação profissional, sendo considerada fonte de referência no assunto, especialmente quando se fala em “Geração Y“.