Esqueceu sua senha?

Portal Competência

9 de agosto de 2013
Jorge Matos


O reflexo do profissional realizado

Esta nova percepção mostra que, na prática, o que faz a diferença é o modo como as pessoas são gerenciadas

O-reflexo-do-profissional-realizado

Faz parte da própria evolução do homem o crescente processo de especialização e profissionalização das atividades executadas por ele. Assim, a lógica evolucionista de Darwin se aplica ao mundo das carreiras e negócios, sendo a ponte entre um passado recente de processos extremamente amadores e a nossa realidade – que exige métricas, estudos, planejamentos, metodologia e soluções tão bem definidas quanto sofisticadas. Com a gestão de pessoas não é diferente.

Esta nova percepção mostra que, na prática, o que faz a diferença é o modo como as pessoas são gerenciadas. São elas que irão produzir e manejar as tecnologias que permitem o aperfeiçoamento das atividades. São elas que impactam e são impactadas pelas suas próprias decisões e desejos, o que gera um ciclo permanente de criação e superação dos desafios. Por isso, é impossível prever até onde chegaremos neste processo e se as fases e procedimentos expostos serão bons ou ruins.

No passado, o que se aprendia na escola bastava para tornar alguém apto a entrar no mercado de trabalho e exercer as suas atribuições profissionais. Ter o conhecimento era a chave para tudo.

A crescente competitividade e pressão sobre os indivíduos transformou o conhecimento num pré-requisito insuficiente para dar conta das novas necessidades do homem. Antes integrante de grandes times , formados por imensa quantidade de pessoas, o indivíduo passou a pertencer a grupos cada vez mais reduzidos e, às vezes, pasmem, a times formados por uma pessoa só.

Como lidar com pressões tão extremas quando se é um time ou integrante de grupos tão restritos? Como superar adversidades tão imensas e trabalhar horas a fio sem sentir sua função e responsabilidade se transformar num fardo pesado demais para ser carregado? Achar a resposta para questões como estas é o que propõe a gestão comportamental.

Ela tem como pressuposto básico a busca pelo entendimento da natureza do talento das pessoas, dos cargos e da compatibilidade entre o indivíduo e a função que exerce ou pretende exercer. A capacidade de superação de desafios tão emblemáticos está diretamente ligada ao prazer que a atividade gera no profissional. Nossa resistência a pressões é maior quando a função praticada não é adequada à nossa natureza. Somos capazes de nos submeter a dezenas de horas de trabalho, desde que isso nos faça sentir realizados.

Atrelado a esses conceitos está o despertar da consciência de que o homem tem o poder de escolha sobre o seu destino. Ele não precisa se sujeitar a fazer algo que contrarie a sua natureza.

Observamos a valorização destes conceitos no consumo de artigos produzidos pela indústria de bens e serviços, pródiga em criar um leque de escolhas sem fim, na oferta dos mais diferentes tamanhos, cores, tipos de materiais, entre outras.

Com tantas possibilidades de escolha, cada vez mais pessoas passam a se indagar sobre o pragmatismo na identificação do cargo que tem mais a ver com elas. A abundância de opções presentes no ramo das realizações humanas em todos os campos do conhecimento tem estimulado essa nova postura.

Apesar de cada vez maior, o grupo de pessoas que compreende ter mobilidade também no terreno profissional ainda é pequeno. Elas não nasceram para serem moldadas a um cargo. Muito pelo contrário: existe ou existirá um cargo moldado para elas. Entre tantas descobertas já feitas pelo homem, a mais importante delas irá caracterizar o século 21 como o momento que o ser humano finalmente descobriu a si próprio.

Dessa forma, a gestão comportamental abre ajuda a pessoas e empresas, dispostas a descobrir suas reais necessidades e talentos, de modo a inaugurar a “meritocracia” nas organizações e preparar gestores no desenvolvimento de competências comportamentais.



Jorge Matos

Mestre em Gestão Empresarial pelo ISCTE / FGV e formação em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco - FESP-UPE. Atuou como Executivo do Grupo Accor, Grupo Industrial João Santos e IT Companhia Internacional de Tecnologia e executou diversos projetos nas áreas de Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Planejamento Estratégico, Gestão de Mudança e Educação, Vendas e Atendimento para empresas. Atualmente, é Presidente da ETALENT, Professor da FGV e Autor do Livro Talento Para a Vida.