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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Carla Virmond Mello


A Razão da Reflexão

A Reflexão tem razões que a razão reconhece…

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Quando nos damos conta de que um terço do ano já se foi, costumamos exercitar a nossa reflexão sobre aquilo que temos feito ou gostaríamos de fazer, sobre o que tem nos ocupado – será que é importante? Transforma-nos? Acresce-nos como pessoas?

Este tipo de exercício mental pode parecer um martírio para os mais pragmáticos, tantas vezes cobrados no cotidiano corporativo por metas e resultados que devem ser comprovados trimestre a trimestre. No entanto, não se trata de uma divagação vazia e sem sentido. Trata-se da prática da reflexão.

O exercício da reflexão é uma técnica importante no aprendizado contínuo e no embasamento das tomadas de decisão complexas, hábito que, quando incorporado, ajuda líderes e profissionais em ações maduras e civilizadas. A reflexão como base para a ação tem sido defendida desde os primeiros ensaios sobre Desenvolvimento Humano, por pioneiros no assunto, como Donald A. Schön no livro “The Reflective Practitioner – How Professionals Think in action”.

Quando li este livro, em meados dos anos 90, não me dei conta do quão importante seria a prática da reflexão e deste estilo no dia a dia corporativo. Diante das incertezas, cenários instáveis, mercado competitivo, diversidades e conflitos de interesses, o pragmatismo não encontra dados suficientes para agir com segurança. É preciso buscar a reflexão e, sobretudo, estimular esta prática em nossos times e em nossas empresas. Entender que não se trata de perda de tempo, muito pelo contrário – é um recurso fundamental para que não haja perda de energia e decisões precipitadas. Cada vez mais o aspecto relacional é importante no mundo do trabalho, nas trocas, no networking e na administração das diferenças.

A reflexão produtiva gera relações sustentáveis e maduras. Importante incentivar esta prática em nossos ambientes para que haja aprendizagem e crescimento. Aí nasce a tão falada cultura do aprendizado e desenvolvimento contínuo e daí parte a “bagagem” necessária para decisões estruturadas, complexas, alinhadas com os objetivos de longo prazo e coerentes com a cultura que se quer criar.

O que podemos fazer, então, para elevar o nível de reflexão produtiva em nossos ambientes de aprendizagem e desenvolvimento? Como estimular mentes reflexivas e não-reflexivas a fazer uso produtivo da reflexão para a expansão da consciência do impacto de suas decisões?

Há dicas simples que podem facilitar e estimular uma reflexão produtiva: procurar buscar alternativas, manter a mente aberta, ver as coisas por diferentes perspectivas, testar ideias, perguntar “e se?”, pensar nas consequências, questionar o status quo.

Faço um convite para a prática da reflexão, sobretudo para essa geração energizada e com pressa. O que posso aprender com ela: mudar ou continuar pensando? O que já aprendi e que pode ajudar nesta decisão? Tenho certeza que, com este poderoso pequeno começo podemos melhorar a qualidade de nossas decisões, rumo ao contínuo desenvolvimento, sem estarmos ansiosos e incertos com a incerteza que há lá fora…

A Reflexão tem razões que a razão reconhece… e a maturidade agradece…
SCHÖN, Donald A. The Reflective Practitioner: How professionals Think in Action. USA: Basic
Books, 1983.
Educando o Profissional Reflexivo: um novo design para o ensino e aprendizagem.
Porto Alegre: Artmed, 2000.

Leitura recomendada: http://pt.scribd.com/doc/31386230/NVQ-Assessors-Developing-Reflective-Practice-Chpt5



Carla Virmond Mello

Diretora da consultoria Lee Hecht Harrison|DBM para região sul do Brasil; Consultora de Carreira e Coach Vice-Presidente da International Coach Federation – Capítulo Paraná.