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Portal Competência

5 de setembro de 2014
Sandro Gomes


Quero desenvolver um novo produto, mas como?

Entenda que o erro faz parte do desenvolvimento e o beneficia

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Seja em uma empresa de software, em uma fábrica de alimentos ou ainda na indústria da moda, o desenvolvimento de novos produtos é ao mesmo tempo uma necessidade e um grande desafio. É necessidade porque nesses e em muitos outros segmentos, é preciso lançar mão de novos produtos para melhorar a oferta aos clientes, e ganhar em competitividade. É um grande desafio, pois desenvolver um produto com maior ou menor grau de inovação depende de muitos fatores, algumas vezes difíceis de prever.

No estudo “Seis mitos do desenvolvimento de produtos”, publicado na Harvard Business Review (Maio/2012), esses “mitos” são trazidos à tona para mostrar que não se pode tratar o desenvolvimento de produtos da mesma forma que se trata uma linha de produção, por não ser tão previsível. Entre esses mitos, dois chamam atenção por parecerem muito questionáveis diante de uma cultura voltada à eficiência e intolerante ao erro. Afinal, o que você imagina que seu presidente diria, se você dissesse que já previu gordura no prazo, e que, além disso, ainda conta em cometer alguns erros no caminho? 

Gordura no prazo, e não é por conforto!

Todos costumamos dizer que “tempo é dinheiro”, portanto mais tempo vai significar mais dinheiro investido. Não é bem assim. O desenvolvimento de um novo produto implica em alguma inovação, por menor que seja, e isso pressupõe enfrentar situações novas, diante das quais não temos grande capacidade de previsão sobre seus impactos no prazo. Assim, a gordura no prazo deve ser encarada mais como margem de segurança e meio de gerenciar as incertezas de desenvolvimento, do que como simples busca por conforto. Imagine um impasse entre usar as palavras “vitaminado” ou “fortificado” para o rótulo de um alimento direcionado à toda família, onde foi feita adição de vitaminas e minerais. Qual delas irá indicar melhor que é para toda família? Isso afetaria o volume de vendas?  Uma dúvida como essa pode influenciar na apresentação dos benefícios e atração do público-alvo. Nesse caso, novas rodadas de pesquisas serão necessárias para dirimir uma dúvida que não havia sido identificada num primeiro momento.

Errar faz parte, e não é em tom de consolo!

É claro que o trabalho não está voltado para produzir erros deliberadamente. Afinal, há o esforço de se coletar e analisar informações sobre tecnologias, o mercado e a concorrência. Além disso, realizar pesquisas de pré-testes com consumidores, trabalhar bem o conceito e os benefícios do produto, até transformá-lo em algo tangível. Entretanto, mesmo esses fatores podem sofrer mudanças ao longo do tempo, e as hipóteses iniciais podem, e quase certamente levarão a erros nas primeiras versões do novo produto. O que precisa ser entendido é que esses erros não querem dizer necessariamente fracasso, pois permitem acumular informações valiosas sobre o produto, que não eram possíveis de se prever inicialmente. Mas isso certamente vai contra a cultura de arriscar menos e acertar logo de primeira. Cultura essa que acaba asfixiando inovações mais significativas, que necessitariam que maiores riscos fossem assumidos.



Sandro Gomes

Executivo e consultor com 19 anos de experiência em gestão de negócios e marketing, em empresas nacionais e multinacionais líderes em diferentes segmentos de mercado, como PURAC Corbion (indústria holandesa de biotecnologia), TIM Brasil Holding (empresa italiana de telecomunicações), e GRPCOM – Grupo Paranaense de Comunicação (empresa brasileira de comunicação e mídia afiliada à Rede Globo) Ferrero do Brasil (empresa italiana de bens de consumo marcas Kinder, Nutella, Tic-tac e Ferrero). Graduado em Engenharia Química (UFRJ) com Extensão em Marketing e MBA em Gestão Empresarial (ambos pela FGV). Inglês e espanhol fluentes. Atualmente é sócio-diretor da CrossVision Gestão de Negócios & Marketing, professor da disciplina de Sistemas de Inteligência de Mercado na pós-graduação da Universidade Positivo e ESIC Business & Marketing School, e colunista semanal de “Negócios & Marketing” no jornal Gazeta do Povo (Curitiba/PR). Como consultor prestou serviço a empresas como Fundação Dom Cabral (Unid. PR), Gráfica e Editora Posigraf, GAIN (Genebra/Suíça), IESE (Pamplona/Espanha Unid. IICS/São Paulo), Rede Globo (Unid. RPC TV/PR), PATH (Seattle/EUA), Leica Geosystems (Unid. Sul), Colégio Positivo, Buscapé (Unid. Navegg/PR), Gazeta do Povo entre outras.