Esqueceu sua senha?

Portal Competência

4 de junho de 2014
Laisa Prust


Quem são os líderes das organizações que aprendem?

Lugares onde o tempo dedicado ao aprendizado é respeitado são mais propícios ao sucesso

Quem_sao_os_lideres_das_organizacoes_que_aprendem_pc

No meu último artigo, busquei trazer algumas características das organizações que aprendem. Como dito antes, é indiscutível que ambientes onde experimentos são incentivados e experiências são compartilhadas, sejam elas bem ou malsucedidas, geram um clima propício para a inovação.

Lugares onde o tempo dedicado ao aprendizado é respeitado e o trabalho em equipe e o compartilhamento de ideias são incentivados, com foco na busca constante por melhorias, são mais propícios ao sucesso.

Mas, então, como seriam os líderes dessas organizações estimulantes do aprendizado? Segundo Schein, autor do livro “Cultura Organizacional e Liderança”, a figura que ele chama de líderes de aprendizagem assume com convicção que aprendizagem é algo valioso a se investir e coloca esforços em desenvolver a habilidade de aprender a aprender. Estas pessoas têm uma crença profunda na capacidade humana de aprender e garantem que sua equipe receba os recursos e a segurança psicológica necessária para a efetivação do processo de aprendizagem (entenda-se por segurança psicológica, neste caso, a sensação de redução de ansiedade recorrente em processos de mudança, através de discurso e prática que demonstrem o lado positivo de mudar, garantindo treinamento formal caso necessário); afinal, não se pode aprender algo novo se não tiver o devido tempo, recursos adequados, acompanhamento e feedback válidos sobre o que se está fazendo.

Uma boa forma de garantir segurança psicológica é por meio do apoio de pessoas na mesma situação, com as quais o aprendiz pode discutir e falar sobre as dificuldades de aprendizagem, criando uma rede de apoio mútuo – esta pode ser facilitada e incentivada pelo líder.

Em relação aos recursos adequados, não são necessariamente aparatos tecnológicos avançados. A aprendizagem pode aflorar em ambientes nos quais  o grande recurso é um excelente facilitador. Quanto ao tempo, não se pode conceber aprendizagem genuína quando a atenção do aprendiz está voltada para entregas urgentes e o espaço para a aprendizagem está espremido entre sua vida profissional e pessoal.

Por fim, líderes de aprendizagem são aqueles que acreditam que o sucesso de qualquer empreitada está mais sob controle de fatores como competência, esforço pessoal, capacidade de inovar e aprender do que em fatores alheios a seu controle. Com esta postura, influencia as pessoas a concentrarem-se no que são capazes de fazer sem aguardar conjunturas mais favoráveis, aspecto importantíssimo em um mundo em constante mutação.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.