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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Carla Virmond Mello


Quando a segunda pode ser melhor

Na busca da segunda carreira, a sabedoria continua sendo um dos requisitos necessários

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É cada vez maior o número de pessoas com 50 anos ou mais que se sentem desmotivados e improdutivos com a proximidade da aposentadoria ou diante de mudanças na vida profissional. Stress, frustrações e várias doenças psicossomáticas aparecem, trazendo angústia e desestruturação. Há um desperdício de energia e de conhecimento.Profissionais competentes se deixam abater pelo desanimo, sem se dar conta do arsenal riquíssimo que adquiriram ao longo da vida atividade profissional. Diante de mudanças, passamos inevitavelmente pela curva da ruptura, com sentimentos de dúvida, medo, confusão e negação, precisando de um suporte para restabelecimento da condição de equilíbrio.

A escolha de uma primeira carreira, por ser muito precoce, não é pensada ou planejada, acontece atendendo expectativas e circunstâncias do momento tais como: influencias familiares, ou financeiras, curso da moda, responsabilidades, fator casamento e filhos. Na seqüência a carreira corre o risco de ser, exatamente como o nome diz, um caminho, porém não escolhido pelo próprio caminhante, mas construído de acordo com as circunstâncias.

A possibilidade de uma segunda escolha é uma oportunidade valiosa para se fazer algo que esteja mais de acordo com um propósito maior de realização e bem-estar. Unir o útil ao agradável – satisfação com qualidade de vida – tem sido cada vez mais uma escolha que cedo ou tarde precisa ser tomada.

Se a idéia ainda assusta, não deveria mais. Aliás, uma segunda carreira pode ser daqui em diante apenas o começo de 5, talvez 10 transições ao longo da vida da atual e futuras gerações! Considerando que viveremos mais, trabalharemos mais e nos aposentaremos menos! Estes profissionais de mais de 50 anos já podem se preparar para se sentirem ativos por mais um bom tempo, logicamente os modelos e escopos serão outros, mas o que se observa é que a taxa destes profissionais que continuam trabalhando chega perto de 20% da força de trabalho, numa curva em crescimento, e muitas vezes como chefes de família. Isto somado a essência do turn-over mudando e se intensificando só pode resultar em ciclos cada vez mais curtos e, conseqüentemente, mais mudanças!

Aproveitar a própria história para ser o artesão de sua própria vida é uma possibilidade maravilhosa que não deve ser desperdiçada. Escolher inventariando-se, ou seja, descobrindo pontos fortes, habilidades e interesses, valores e propósitos para que, desta vez, o trabalho seja a manifestação das tendências naturais e flua sem sacrifícios.

Dúvidas surgem sempre que temos que tomar decisões, no entanto a segurança de nossas escolhas é proporcional as informações que dispomos e ao desenho que fazemos do futuro desejado. O auto conhecimento e o planejamento da carreira é uma atitude muito sábia em qualquer época da vida. Principalmente para uma vida longa.

Portanto, para aqueles que estão se preparando para uma segunda carreira e sentem-se inseguros e desconfortáveis, exatamente por se sentirem assim, lembrem-se que escolher é difícil em qualquer momento da vida. O que não se deve fazer é confundir oportunidades com ameaças, incertezas com fraquezas; achar que não dá mais tempo ou que não vale a pena ir a busca de uma carreira que traga satisfação. Tudo pode ser feito, refeito ou desfeito.

Na busca da segunda carreira, a sabedoria continua sendo um dos requisitos necessários, quanto à experiência obrigatória, isto os cinqüentões tem de sobra!



Carla Virmond Mello

Diretora da consultoria Lee Hecht Harrison|DBM para região sul do Brasil; Consultora de Carreira e Coach Vice-Presidente da International Coach Federation – Capítulo Paraná.