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Portal Competência

19 de fevereiro de 2014
Rosangela Duarte


Preceitos Andragógicos

E e aprendizagem de adultos

Preceitos Andragogicos

A Andragogia foi definida por Malcolm Knowles, no século XX, como a ciência que estuda a educação para adultos com a finalidade de buscar uma aprendizagem efetiva para o desenvolvimento de competências.  Knowles organizou suas ideias em torno da noção de que os adultos aprendem com mais facilidade em ambientes informais, confortáveis, flexíveis, sem ameaças e sob os seguintes princípios:

Necessidade de saber: os adultos têm necessidade de conhecer o motivo pelo qual devem aprender antes de se comprometerem com a aprendizagem;

Autoconhecimento: conscientização, por parte do adulto, da responsabilidade das suas decisões e da sua vida. Torna-se necessário que sejam encarados como indivíduos capazes de se autogerirem;

Experiências: os adultos têm uma bagagem muito maior e mais variada de experiências – que acabam sendo a base do seu aprendizado, mas também podem acarretar em preconceitos e hábitos mentais que dificultam a aprendizagem;

Prontidão: Os adultos têm a intenção de iniciar o processo de aprendizagem desde que compreendam a sua utilidade para determinadas situações de vida;

Orientação: A aprendizagem é encarada como solucionadora de problemas e tarefas da vida quotidiana;

Motivação: Há motivadores para a aprendizagem de ordem extrínseca (promoção, capacitação para um trabalho, melhor salário, etc.), mas, principalmente, intrínseca (autoestima, satisfação profissional, qualidade de vida)

Assim, a Andragogia surge como contradição ao modelo pedagógico, centrando-se numa etapa de vida onde os interesses e as motivações são diferentes, passando da aquisição fundamental de conhecimentos com base em conteúdos disciplinares (modelo pedagógico) para o desenvolvimento de competências para conhecimento direcionado, por meio da resolução de problemas e com o recurso das experiências de vida.

Caro Leitor,

A história de aprendiz e mestre narrada, a seguir, apresenta dois processos distintos de ensino e aprendizagem de adulto: um que se mostrou eficaz e outro nem tanto. Por que teriam acontecido dessa forma?

Tendo como referência os preceitos da Andragogia descritos na teoria de Knowles, você poderia justificar o sucesso de um processo e o fracasso do outro?

Aproveite a narrativa! Faça suas leituras!

O ano de 1975 ficou marcado por novas experiências. Duas delas compartilharam uma mesma ação: conduzir. O que as difere é o que se conduziu, a forma como se fez isso e o que resultou de ambas vivências.

Dirigir um automóvel e acompanhar crianças em processo de aprendizagem foram as aventuras.

As aulas de autoescola aconteciam muito cedo, das 7h às 7h30m aproximadamente. Depois delas, ia direto para a escola onde assumi uma classe de 3º ano do Ensino Fundamental em substituição à professora efetiva que estava doente.

Para tirar a carta de motorista, tive aulas teóricas e práticas e acompanhamento constante do instrutor que, pacientemente e com extremo bom-humor, compartilhava o que sabia comigo, me encorajava a experimentar e, generosamente,  me corrigia para que eu pudesse avançar.

Para dar aulas às crianças da turma do 3º ano, não tive preparação com aulas teóricas, nem práticas, uma vez que acabara de entrar na Faculdade de Letras e era uma profissional em construção. Para comandar o grupo de alunos, não tive orientação (nem paciente e muito menos bem-humorada). As pessoas que sabiam mais do que eu não compartilharam seus saberes comigo e, equivocadamente, acharam que um roteiro de atividades para cada dia de aula desse conta de orientar meu trabalho docente.

As intersecções que encontro entre as duas atividades como novas experiências, situações de risco, momentos conflituosos de aprendizagem não negam a natureza distinta de ambas, nem o papel diferente que cumpria em cada uma. No entanto, como foram fortes e concomitantes em minha vida, não me lembro de uma sem associar à outra. E, hoje, essa associação racionalizada me permite entender o sucesso de uma e o fracasso de outra.

Para  ter a  carta de motorista, coloquei-me na situação de aprendiz; para lecionar à turma de alunos, ocupei o lugar vago de mestre. Para o primeiro desafio, tive a prontidão necessária; para o segundo, sobrou-me imaturidade. No processo de aprender, fui acompanhada; no processo de ensinar, senti-me abandonada. O resultado final de um foi a superação bem sucedida; o resultado do outro foi o fracasso seguido de frustração.

Tornar-me motorista trouxe-me independência. Tornar-me professora, naquele momento, foi um projeto adiado.



Rosangela Duarte

Mestre em Educação: currículo pela PUC-SP. Graduada em Letras: Português e Inglês pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua como consultora pedagógica para o desenvolvimento e implementação de cursos e treinamentos corporativos e acadêmicos na modalidade de Educação a distância. Ministra cursos de formação de gestores e de professores para o uso da Tecnologia da Informação e Comunicação na educação.