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Portal Competência

14 de novembro de 2014
Fabio Moraes


Por que os adultos são ensinados como crianças?

Alunos fazem o papel de depósito de dados, sem que haja uma utilidade prática para aquilo

Por que os adultos são ensinados como crianças

A coisa mais comum em educação de adultos nos dias atuais é ver uma classe lotada de alunos com um professor a frente, cuspindo matéria na galera que de forma resignada tenta acompanhar o mestre ao mesmo tempo que enche seus cadernos com informação ( e não conhecimento).

Mas por que até hoje os alunos adultos ainda são tratados como crianças?

Os motivos são vários. Primeiramente, os professores não conhecem outra forma de ensinar. Aprenderam assim e reproduzem o modelo expositivo de conteúdos. No qual, como dizia Paulo Freire, os alunos fazem o papel de depósito de dados, sem que haja uma utilidade prática para aquilo.

Em segundo lugar, as escolas não possuem um formato adequado aos alunos. As mesmas classes que recebem crianças pela manhã, atendem os adultos a noite. Mesmo formato, mesma metodologia e resultados muitas vezes iguais ou nulos.

Em terceiro lugar, o sistema educacional parece que não foi feito para mudar as pessoas e sim, para deixa-las conformadas a sua sorte. Os alunos existem para aprender aquilo que os tornará padronizados e não agentes de mudanças que irão questionar o status quo.

Finalmente, os indicadores de desempenho pelos quais as escolas e os professores são avaliados não conseguem medir a qualidade daquilo que está sendo ensinado. Não conheço um professor que seja cobrado por inovação didática ou pelas mudanças que seus ensinamentos farão no mundo. Mas são cobrados por quantidade de publicações (aqueles famosos artigos científicos que ninguém vai ler).

Precisamos de reformas urgentes no ensino de adultos. O conhecimento deve estar disponível em plataformas a distância as quais os alunos possam acessar a qualquer instante. O professor deveria instigar os alunos, trazendo provocações e incentivando a criação de projetos que transformassem a realidade.

Comunidades de práticas, coaching, mentoring, psicodramas, assessment são instrumentos muito mais eficazes que aulas expositivas, mas isso exige um novo professor, um novo aluno, uma nova escola e o um novo sistema educacional.

Alguém poderá pensar que na educação corporativa as coisas são muito diferentes, mas na prática é quase o mesmo modelo, porque em muitos casos, este tipo de educação não foi idealizado para mudar as cabeças das pessoas também.

Fica o consolo que existe uma grande avenida de oportunidades. Quem quiser arregaçar as mangas e propor novas metodologias… O caminho está aberto.



Fabio Moraes

Fábio Moraes é diretor geral do Instituto FEBRABAN de Educação INFI, professor de gestão da educação corporativa pela FIA. Doutor em Administração pela FEA-USP, mestre e bacharel em Economia pela PUC-SP. Especialista em educação financeira. Diretor de educação financeira da FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos). Coautor dos livros: Educação Corporativa – muitos olhares; Educação Corporativa – fundamentos, evolução e implantação de projetos, ambos pela Editora Atlas.