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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Samuel Marques


A pipoca e a história da sua vida

Pode ser que estejam vivendo um mundo que não é o nosso mundo

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Eu tenho três filhos com idade de 12, 7 e 5 anos. Quando alguém se surpreende com o tamanho da família, eu respondo pra descontrair: “Pois é, com este corpinho nem parece que já tive três filhos”.

Mas, neste final de semana, eu me surpreendi com uma pergunta do caçula, João Victor. Eu estava sozinho com eles na tarde de domingo, quando a fome apertou, certamente em razão dos doze mil pulos que davam na piscina. Eu sugeri a velha e divertida pipoca, e ele devolveu a pergunta:

- Você sabe fazer pipoca, papai?

Meio constrangido, eu respondi que sim. Sei sim fazer pipoca e fiz um monte. Porém, depois eu me perguntei: o que mais ele não sabe sobre mim?

Já faz um tempo que não é permitido aos filhos acompanhar os pais no trabalho. Antigamente, o filho dava sequência no trabalho do pai e aprendia pela convivência ao menos um ofício, uma profissão.

Mas, hoje, eu não posso levar meu filho para um tribunal, nem minha esposa pode levá-los para o hospital. Acredito que com você ocorra o mesmo. Assim, vamos trabalhando, eles estudando e pouco se fala sobre a maneira com que conduzimos a vida.

Pode ser que o seu filho não saiba que você tem um seguro de vida, que já praticou natação, que foi aprovado em 9º lugar no vestibular. Coisas corriqueiras, coisas de família.

Talvez ele não saiba também que você tem uma planilha de controle financeiro, que precisa equilibrar receitas e despesas.

É muito comum ouvirmos do filho a sugestão de usar um cheque ou passar o cartão quando você diz que não tem dinheiro. Eles acham que o dinheiro que sai do caixa eletrônico é ilimitado, que se pode preencher qualquer valor no cheque e que a operadora de cartões vai aprovar a compra.

Pode ser que estejam vivendo um mundo que não é o nosso mundo. É um mundo de fantasia onde não se sabe exatamente os limites a serem respeitados.

Falar com eles sobre a condução das finanças é quase uma obrigação, se considerarmos o número de adultos completamente irresponsáveis na condução do seu dinheiro, muitas vezes motivados pelo mais puro e simples desconhecimento.

Tenho acompanhado empresas que vão à falência imediatamente após o filho assumir o controle. O pai deu de tudo, menos a instrução de como manter o que ele construiu.

Em outros casos acompanhei com espanto a pressa dos herdeiros em vender um bem que foi o xodó de toda uma vida de seus pais, mas que, infelizmente, para eles, não representava nada mais que um cheque do comprador – que, evidentemente, pagou a metade do que realmente valia.

Você lutou a vida inteira para adquirir um bem, firmar-se numa carreira, construindo uma empresa ou ainda dedicando-se ao relacionamento com seu cônjuge? Você completou 15 anos de casado? O quanto seu filho sabe sobre isto?

Havia um programa antigo de TV que fazia perguntas sobre o marido para a esposa e vice-versa. Qual seria o resultado se um teste destes fosse feito com você e seu filho?

Esta pipoca vai render muitas histórias…
Grande abraço,

Samuel Marques



Samuel Marques