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Portal Competência

9 de agosto de 2013
Laisa Prust


Ouvindo é possível comunicar muita coisa

Entre as inúmeras habilidades que os líderes precisam desenvolver, cito uma a qual a inquietude do dia a dia os faz, muitas vezes, colocar no final da fila de prioridades: ouvir

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Para ouvir efetivamente, não basta estar atento ao que está sendo dito, tampouco silenciar. Ouvir “de corpo e alma” envolve sensibilidade para perceber detalhes como o tom de voz, o peso das palavras escolhidas, a linguagem corporal. Esses detalhes às vezes podem responder a questionamentos dos quais as palavras não dão conta. Quando conseguimos comunicar que estamos ouvindo “de corpo e alma”, ajudamos a estimular o interlocutor, que se sentirá mais seguro e respeitado. É útil lembrar que o respeito volta para nós na medida em que o praticamos.

Muitas vezes, ao ouvir uma pessoa, percebemos que fizemos uma viagem mental e nosso pensamento está concentrado na lista interminável de atividades pendentes ou até em coisas menos importantes. Um pouco de perspicácia mostrará a nosso interlocutor que somente nosso corpo está na sua frente quando, enquanto digitamos alguma coisa, dizemos: “pode falar, estou ouvindo”. Nesses casos, ele recebe a mensagem: “o que você tem a me dizer não é mais importante do que isto que estou escrevendo“. Seria melhor explicar que estamos muito ocupados no momento; que, se não for urgente, preferimos falar outra hora.

Ouvir de forma eficaz passa também pela análise de nossas próprias crenças e falsas concepções, pelo controle da emoção e pela superação de preconceitos. 

Nossa história de vida faz com que tenhamos certas opiniões sobre alguns assuntos e valorizemos certos comportamentos mais do que outros. Quando nos deparamos com um interlocutor que, mesmo sem saber, desafia e critica nossas crenças e opiniões, a emoção passa a governar nossa capacidade de ouvir e julgamentos invadem nossa mente. Em outros casos, a maneira de gesticular das pessoas ou as palavras que usam podem nos incomodar, fazendo com que queiramos terminar a conversa com maior rapidez.

Todos nós temos sentimentos fortes em relação a determinadas palavras porque o que ouvimos e compreendemos tem grande relação com nossa própria experiência e nossas necessidades. Ouvimos o que nossas mentes nos afirmam ter a pessoa falado, mas nossas mentes nem sempre estão corretas. Nesse caso, ouvir se torna um exercício de tolerância que vale a pena porque pode alterar nossa visão de mundo. Outro fator que pode nos fazer ouvir com menor eficácia é o preconceito que temos em relação à pessoa que nos dirige a palavra. Se ouvirmos nosso preconceito antes que o interlocutor fale, pobre dele! Terá menor chance de ser ouvido “de corpo e alma”.

Como desenvolver a habilidade de ouvir? 

Antes de tudo, avalie seu comportamento quando alguém solicita uns minutos de conversa, verifique se você adota uma atitude de envolvimento que mostra à pessoa que fala que você está disposto a ouvi-la:

  • Pedir a outras pessoas para não os interromperem;
  • Fechar a porta demonstrando intenção de anular estímulos que possam distraí-lo;
  • Demonstrar com gestos sua atenção, como com um balanço de cabeça afirmativo;
  • De tempos em tempos, verbalizar que está acompanhando seu raciocínio dizendo, por exemplo, “entendo”, “ certo”, “compreendo” etc.;
  • Olhar de frente para ela, mantendo o contato visual.

As atitudes acima podem comunicar: “estou atento e interessado, pode prosseguir”. 

Pronto para ouvir, concentre-se no que está sendo dito e como está sendo dito, nas emoções presentes na fala. Preste atenção ao primeiro pensamento que lhe vem à mente e, se perceber que está carregado de preconceito, insira outros incitando-o à neutralidade. Controle-se para não interromper quem esta falando; se não compreender muito bem, questione-o e depois resuma o que ele disse. Exercite a disciplina para evitar a distração.

É possível que se surpreenda com os bons frutos que irá colher apenas prestando atenção na sua habilidade de ouvir.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.