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Portal Competência

25 de março de 2014
Jorge Matos


Os desafios da Geração Y

jovens com idade entre 18 e 33 anos estão ganhando o seu espaço no mercado de trabalho

Os desafios da Geracao Y

O fenômeno é visível na maioria das empresas: jovens com idade entre 18 e 33 anos estão ganhando o seu espaço no mercado de trabalho com novas atitudes, nem sempre bem recebidas por seus colegas e superiores. Tipicamente, esses rapazes e moças, pertencentes ao que chamamos de Geração Y, são “vidrados” em tecnologia e têm muita pressa para serem reconhecidos. Para complicar, apresentam um comportamento marcado pela impulsividade, teimosia e, em muitos casos, pela falta de respeito a normas.

É comum o profissional Y enxergar o chefe apenas como um colega de trabalho e ter enorme dificuldade para se submeter à hierarquia tradicional. Eis aí um novo – e importante – desafio para os setores de RH e os gestores das empresas. Como lidar com essa geração?

Nesse, como em outros casos, o primeiro passo é compreender as características desta geração. A pesquisa Talento Brasileiro, da Etalent, que levou em consideração uma base de 1,3 milhões de perfis de participantes, aponta uma lacuna no perfil desses jovens. O fator “dominância” apresenta-se em apenas 6,2% dos profissionais na faixa dos 19 e 23 anos. Comparando, essa incidência é quase um terço do que os 17,3% encontrados, por exemplo, nos profissionais mais velhos, da Geração Baby Boomer, entre seus 54 e 58 anos. E praticamente a metade (12,7%) do encontrado entre os trabalhadores entre 39 e 43 anos, da Geração X.

E por que isso preocupa? O fator de dominância é comum entre os profissionais que se destacam por serem desbravadores, ousados e tenazes no que se propõem a fazer.  É encontrado entre aqueles que sabem aproveitar oportunidades e efetivamente arregaçam as mangas para concretizar seus objetivos.

Em contrapartida, um percentual alto, 32,1%, ou seja, cerca de um terço da garotada entre seus 19 e 23 anos, apresenta o fator de “alta estabilidade” (ante os 25,7% encontrados nos que têm entre 54 e 58 anos; e os 26,6% dos que têm 39 a 43 anos). Estamos falando aqui de pessoas mais prevenidas. E que, na prática, norteiam-se pela segurança.

O jovem que chega ao mercado tende a ser mais apático que as gerações que o precederam. Ainda que exija muito mais em troca de sua colaboração.

A pergunta que não quer calar, portanto, é: será que esta nova geração que chega ao mercado tem sido adequadamente educada para enfrentar o mundo do trabalho? Não terá ela sido demasiadamente mimada para encarar os valores, as demandas, as regras e os objetivos do mercado? E como fica o dia a dia das corporações?

Para aceitar a autoridade, um representante típico da Geração Y tem a necessidade íntima de reconhecer o mérito do seu gestor. No entanto, não é sábio flexibilizar alguns marcos da estrutura das organizações. É fundamental que cada colaborador saiba respeitar seus superiores, mesmo que não os admirem.

Se a família ou a escola não soube educar esses jovens para atuarem nas organizações baseadas na hierarquia, é importante que os RHs dessas empresas saibam pontuar aos recém-chegados que eles devem, sim, respeitar seus superiores. Mais: ainda serão chamados a lidarem com “nãos” cotidianamente. Aqueles mesmos “nãos” que seus pais e suas escolas frequentemente não lhes impuseram ao longo de sua formação.



Jorge Matos

Mestre em Gestão Empresarial pelo ISCTE / FGV e formação em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco - FESP-UPE. Atuou como Executivo do Grupo Accor, Grupo Industrial João Santos e IT Companhia Internacional de Tecnologia e executou diversos projetos nas áreas de Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Planejamento Estratégico, Gestão de Mudança e Educação, Vendas e Atendimento para empresas. Atualmente, é Presidente da ETALENT, Professor da FGV e Autor do Livro Talento Para a Vida.