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Portal Competência

15 de agosto de 2014
Paulo Gerhardt


Os 7 gols da Alemanha na Copa do Mundo

E os sete legados que ficaram para refletirmos e utilizarmos em nossas empresas

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A Copa do Mundo no Brasil passou e o povo brasileiro deu um show nas arquibancadas dos estádios e nas ruas do País, demonstrando como somos acolhedores e bons anfitriões. Infelizmente, nossa seleção não alcançou seu objetivo. Tivemos muitos problemas na organização deste evento, revelando o retrato real da nação. Acredito que a taça foi para quem, realmente, fez por merecer.

O maior legado que ficou para nós da Copa do Mundo no Brasil foi os 7 gols da Alemanha. E não estou falando dos que levamos naquele jogo fatídico, em que fomos goleados impiedosamente. Quero comentar os sete legados que a Alemanha nos deixa para refletirmos e utilizarmos em nossas vidas, nas empresas e nos governos.

Lição 1) A importância do planejamento

O planejamento iniciou após o fracasso na Eurocopa de 2000. Eles decidiram reformular o futebol do país, priorizando a formação dos garotos da base. A Federação Alemã criou centros de formações para crianças e técnicos. Em 2006, na Copa do Mundo em casa, o então técnico Jurgen Klinsmann lançou um elenco jovem, mesmo correndo o risco de não ser campeão. A Alemanha terminou em terceiro, mas orgulhou a todos pelo seu desempenho. Em 2010, o auxiliar de Klinsmann, Joachim Low, foi promovido a técnico, e a Alemanha parou mais uma vez em uma semifinal. No entanto, os dois insucessos seguidos não acabaram com o projeto. A persistência e o foco foram recompensados em 2014.

O título após 24 anos representa o sucesso de um projeto elaborado e executado de forma exemplar. Além do planejamento em campo, os alemães também deram um show de planejamento fora do campo com a construção de sua própria concentração em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Um condomínio com 14 casas para acomodar toda a delegação, em um prazo de cinco meses – e o treino era pesado: a academia construída não contava com ar condicionado, para que seus jogadores se adaptassem ao clima local, já que jogariam a suas partidas da primeira fase no Nordeste, e eles treinaram na hora do almoço com sol escaldante.

Temos que dar mais atenção ao planejamento de longo prazo em nossas vidas e empresas, pois pensamos muito no curto prazo e buscamos resultados imediatos. Nem sempre o resultado imediato é o melhor.

Lição 2) Adequação rápida à mudança

Os atletas, as estratégias e as táticas foram alteradas diversas vezes em função do adversário e das circunstâncias em campo, proporcionando novos resultados. Isso significa que a rápida adequação às mudanças do cenário trouxe resultados diferentes em determinada partida. Os planos e táticas podem e devem ser modificados para se adequaram às mudanças, porém os objetivos maiores precisam ser conservados e servem de guia para todos.

Lição 3) Foco nos Objetivos

Todos tinham claros a Missão, a Visão, os Valores e os Objetivos e mantiveram-se no foco o tempo todo. Para manter-se focado, é necessário concentração, determinação, resiliência e persistência. O foco está em acreditar naquilo que foi determinado, independente das adversidades que surgirem. Foco é executar o que foi planejado mas, se algumas ações não derem muito certo, replanejar e encontrar novos caminhos sem perder o foco. Foco é não se deixar cair nas armadilhas das distrações. É comum no mercado, as empresas, bem como os profissionais, perderem o foco, indo atrás de falsas promessas.

Lição 4) A força do trabalho em equipe

Enquanto a maioria das seleções dependiam de um ou dois talentos individuais, a seleção alemã destacou-se pelo conjunto, pelo trabalho de todos para o bem da equipe. Para que uma empresa atinja o sucesso, é necessário que todas as áreas e profissionais trabalhem de forma cooperada, somando esforços e potencializando as competências individuais. Cooperar internamente e competir externamente foram uns dos segredos da seleção da Alemanha para alcançar o sucesso.

Lição 5) Equilíbrio entre o racional e o emocional

Pudemos perceber que tanto os atletas quanto a comissão técnica apresentaram uma postura equilibrada entre o racional e o emocional. Percebemos a forma um tanto fria e sistemática, aos nossos olhos, em vários momentos, dentro e fora de campo. Mas também vimos o quanto os alemães podem ser emotivos e calorosos.

A festa após o título, tanto no Maracanã, quanto na chegada em Berlim, mostram o lado festivo e emocionado dos alemães, uma surpresa para aqueles que sempre viam este povo com um temperamento extremamente recatado e frio. Temos que introduzir esta cultura em nossas vidas e empresas, sabendo compreender quando temos que deixar o racional nos conduzir e quando o emocional pode aflorar; ou seja, dedicar tempo para tudo.

Lição 6) Empatia e Conquista

A Seleção da Alemanha identificou as principais partes interessadas e trouxe o povo local para o seu lado, colocando na sua camisa de treino o agradecimento ao povo baiano e fazendo uma camisa rubro-negra de jogo no mesmo padrão do time mais popular do Brasil, o Flamengo. Interagiram com índios locais e até dançaram com eles. Fizeram doações em dinheiro e ambulância para o hospital local. Alguns jogadores alemães torceram pela Seleção Brasileira.  Essas ações tiveram como objetivo trazer empatia e o respeito do povo brasileiro para a Seleção Alemã. Temos que saber usar mais a empatia em nossas relações e na nossa comunicação, para obter resultados superiores.

Lição 7) Competência e sua eficácia para o sucesso

De nada adiantaria fazer tudo o que foi feito, se a seleção alemã não tivesse competência para se tornar campeã. A soma dos Conhecimentos, Habilidades e Atitudes de todos os jogadores, junto àqueles que dirigem e comandam o futebol alemão, mostraram o quanto eles evoluíram. De um futebol de força e disciplina para uma combinação perfeita de talento, tática e superação. Uma evolução do futebol brasileiro, espanhol e inglês. Temos que entender que devemos desenvolver e evoluir sempre. O passado deve ser respeitado e reverenciado, no entanto, não deve servir de desculpa para permanecermos onde estamos. Quando mais sairmos de nossa zona de conforto, mais grandeza teremos.



Paulo Gerhardt

É autor do livro Coaching de Vendas – Conduza seu Cliente para a Solução e Venda Mais (www.treinar.com.br), onde propõe mudanças de paradigmas na abordagem tradicional de venda para contornar as principais dificuldades, satisfazendo o cliente e vendendo mais.