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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Laisa Prust


Não descuide do português!

A comunicação corporativa precisa ser precisa, coerente, objetiva e eficaz para se atingir à necessária exatidão de sentido

Nao-descuide-do-portugues

Quem diria que dominar o próprio idioma seria um conselho necessário a se dar! Há certo tempo, o domínio de uma língua estrangeira era um diferencial importante entre os candidatos a uma vaga de emprego. Hoje, se alguém me perguntasse qual habilidade desenvolver para se tornar um profissional com maior empregabilidade e credibilidade, eu diria, entre outras coisas: não descuide do português!

Pode ser uma impressão equivocada, mas parece que há atualmente maior volume de erros, alguns deles imperdoáveis como a confusão entre “mas” e “mais”, que passei a perceber recentemente, e o uso do “sobre” no lugar do “sob”.

Acho que a baixa qualidade dos textos produzidos atualmente se deve em parte ao fato de que, num universo tão grande de competências a desenvolver para se tornar um profissional disputado no mercado, as pessoas não consideram o peso do uso correto da língua para a conquista de boas posições na carreira, como um requisito importante para o exercício da profissão. Porém, a comunicação escrita acaba formando a imagem do profissional e da empresa. Se ela for mal redigida pode comprometer uma contratação ou uma seleção de um fornecedor. Além disso, a comunicação corporativa precisa ser precisa, coerente, objetiva e eficaz para se atingir à necessária exatidão de sentido.

Há quem credite as dificuldades com a própria língua à deterioração da qualidade do ensino, outros à falta de gosto dos jovens pela leitura. Para quem já chegou ao mercado de trabalho, não importa a causa e sim o fato de que a solução está sob seu controle, assim como também está a sua credibilidade como profissional ao empregar bem sua própria língua. Por isso, sugiro rever pontos importantes ou mesmo estudar, por que não?

Afirmam os especialistas que para escrever de forma correta, ler com frequência é imprescindível, pois a leitura de boa qualidade oferece modelos a serem seguidos na fala e na escrita. Acredito que, além de ler, é útil também questionar a própria forma de escrever ou pronunciar as palavras. Esse é um hábito que desenvolvi ainda na infância. Quando leio ou ouço alguém falar uma palavra que difere do uso que faço ou do que acredito ser a forma correta, apelo para o “pai dos burros” a fim de tirar a dúvida. Por isso o dicionário é um dos livros mais “ensebados” lá de casa. Assim, fui gravando a forma correta de escrever, embora ainda cometa erros. Uma dose de curiosidade sobre o significado das palavras também ajuda a enriquecer o vocabulário e tornar o texto mais atrativo ao leitor. Enfim, escrever com arte é para poucos, mas escrever corretamente é para todos!

Alguns erros comuns e suas formas corretas:

USO EQUIVOCADO

USO CORRETO

JUSTIFICATIVA

Ele trabalha sobre pressão.

O projeto está sobre sua responsabilidade.

Acionarei a alavanca sobre o seu comando.

Está tudo sobre controle.

Farei móveis sobre medida.

Ele trabalha sob pressão.

O projeto está sob sua responsabilidade.

Acionarei a alavanca sob o seu comando.

Está tudo sob controle.

Farei móveis sob medida.

Sobre significa  acima e sob, abaixo. Usa-se “sob” para indicar que algo está debaixo de pressão, autoridade, comando, vontade ou orientação de alguém.
Estou meia desanimada com o meu trabalho.

Hoje acordei meia triste

Estou meio desanimada com o meu trabalho.

Hoje acordei meio triste

A palavra meio tem mais de um uso. Veja a diferença:

Meio = numeral fracionário, vinculado a um substantivo e concorda com ele: meia hora, meia página, etc.

Meio = advérbio de intensidade vinculado a um adjetivo e não se flexiona: meio triste, meio distraída, meio chorona, etc.

Gostaria de ter ido com ele ao cinema, mais tive que estudar ontem à noite. Gostaria de ter ido com ele ao cinema, mas tive que estudar ontem à noite. Mais indica intensidade e é o contrário de menos.

Mas tem sentido adversativo e pode ser substituído por porém, entretanto, contudo, etc.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.