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Portal Competência

22 de outubro de 2013
Jorge Matos


O mercado e os trainees

O trainee precisa ter mais do que os conhecimentos necessários

O mercado e os trainees

É visível, nos dias de hoje, o crescimento do número de processos de recrutamento de trainees. Uma série de empresas que, há tempos, nem imaginava fazer esse tipo de seleção, iniciou a busca por esse tipo específico de profissionaI, sobretudo por dois motivos: primeiramente, pela expansão das companhias e consequente necessidade de qualificação daqueles que vêm de outra organização. Além disso, um segundo fato importante é que em outras épocas, o normal era que as empresas abrissem vagas e esperassem que as pessoas se candidatassem a um processo seletivo. Acontece que, há alguns anos, surgiu um fenômeno de ‘roubar’ pessoas de outras instituições, o que mudou tal paradigma.

Nesse contexto, o que grande parte das empresas faz é mapear as organizações que elas têm como referência e contratar os profissionais que já estão inseridos no mercado, preferencialmente, nas instituições que admiram. Dessa forma, as companhias já recebem um funcionário em fase de treinamento que entende do processo e do negócio. Tal prática forçou algumas empresas a preparar profissionais para ocupar as vagas das pessoas que eles perderam. Daí surgem dois cenários: uma empresa que contrata e treina pessoas e outra mais agressiva, que não treina ninguém, não orienta ninguém, mas oferece salários mais atraentes e faz com que o profissional saia de uma empresa e vá para a outra. Essas empresas que tem como estratégia remunerar abaixo do mercado acabam perdendo para aquelas que oferecem uma remuneração mais agressiva.

Um ponto fundamental que os gestores precisam levar em conta na hora da contratação de um trainee é a atitude desse profissional. O que leva a empresa a se perder e até demitir o profissional é o fato de esperar que os indivíduos gerem resultados, acima de tudo. Porém, na grande maioria das vezes, a empresa contrata pelos melhores currículos. E avaliamos que não é isso que faz com que as pessoas gerem resultados. O que gera os resultados, na nossa visão, é que o indivíduo tenha uma atitude de alta performance.

Mais do que os conhecimentos, o trainee precisa ter os comportamentos necessários para a vaga. Ele tem que gostar do que faz e as atividades devem combinar com sua natureza particular.  Por último, ele tem que desenvolver a habilidade. Reunindo esses três elementos – conhecimento, comportamento e habilidade – conseguimos alcançar a alta performance e, dessa forma, gerar os resultados.



Jorge Matos

Mestre em Gestão Empresarial pelo ISCTE / FGV e formação em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco - FESP-UPE. Atuou como Executivo do Grupo Accor, Grupo Industrial João Santos e IT Companhia Internacional de Tecnologia e executou diversos projetos nas áreas de Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Planejamento Estratégico, Gestão de Mudança e Educação, Vendas e Atendimento para empresas. Atualmente, é Presidente da ETALENT, Professor da FGV e Autor do Livro Talento Para a Vida.