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Portal Competência

11 de dezembro de 2014
Sandro Gomes


O Mercado mora ao lado

40% do volume de vendas de alimentos, higiene e limpeza, e perfumaria estão no pequeno varejo

O Mercado mora ao lado

Os Mercados de Bairro são aqueles pequenos mercados, com 1 a 4 caixas (check-outs), que nos servem em nosso dia-a-dia, com a conveniência e simpatia típicos do “Seu Zé”, aquele varejista corajoso e empreendedor que está ali há anos (em média 17 anos), competindo com as grandes redes nacionais e regionais de Super e Hipermercados por nossa preferência. É interessante notar que, o também chamado Mercado de Vizinhança, registrou taxas de crescimento acima de seus concorrentes de peso nos últimos anos. Já são cerca de 65 mil estabelecimentos desse tipo no país, que respondem por mais de 40% do volume de vendas em alimentos, higiene e limpeza, e perfumaria. Isso é atribuído em parte ao crescimento do poder de compra do consumidor, que passou a buscar mais conveniência, proximidade e praticidade para suas compras, segundo a pesquisa “Mercado de Vizinhança: Uma visão 360 graus do pequeno supermercado”, realizada pela GfK Brasil ao longo dos últimos três anos, visitando cerca de 1.650 lojas e conversando em média com 400 varejistas a cada ano.

O perfil do varejista no Mercado de Vizinhança.

Ele tem em média 40 anos de idade, e a maioria (cerca de 70%) são homens. Esses empreendedores conduzem negócios familiares (85%) de apenas uma loja (80%).  Sua experiência no ramo gira em torno de 16 anos, e é mais prática do que teórica, pois a grande maioria (80%) não concluiu o curso superior.

Conveniência com abrangência de serviços

Apesar de pequenos, os Mercados de Vizinhança oferecem um bom sortimento de produtos (8.900 itens em 2013 contra uma média de 7.700 itens em 2012). Esse pequeno varejista decide que itens comprar em primeiro lugar baseado no que seus clientes pedem, e dão preferência a marcas líderes. Agregam ainda uma boa variedade de serviços para fazer valer a conveniência, onde 82% oferecem entrega em domicílio, 44% tem estacionamento e 84% possuem scanner no caixa para agilizar a vida de seus clientes. O scanner de caixa aponta como uma forte tendência, pois foi o item que mais cresceu em presença no pequeno varejo durante a pesquisa (10 pontos percentuais ao ano). É curioso notar ainda, que 27% possuem site na internet.

E não para por aí, essas lojas parecem estar mais antenadas com seus clientes e buscam aderir à sua rotina, por isso o horário de funcionamento é diferenciado, onde 80% delas ficam abertas por mais de 12 horas. Agora, o golpe de misericórdia na concorrência, é que mais de 30% das lojas vendem à crédito – fiado com a boa e velha caderneta – e os pequenos varejistas do Sul mostram-se ainda mais adeptos a essa prática, chegando a 50% do total na região.

Um bom negócio para todos

Um Mercado de Vizinhança com até quatro caixas pode chegar a um faturamento anual acima de R$ 4 milhões, onde a pesquisa mostrou uma forte correlação entre o faturamento total e o número de funcionários, verificando uma média de faturamento por funcionário de cerca de R$ 180 mil por ano.

Bom para o cliente, bom para o funcionário e bom para o empreendedor, foi o retrato tirado do Mercado de Vizinhança pela pesquisa.



Sandro Gomes

Executivo e consultor com 19 anos de experiência em gestão de negócios e marketing, em empresas nacionais e multinacionais líderes em diferentes segmentos de mercado, como PURAC Corbion (indústria holandesa de biotecnologia), TIM Brasil Holding (empresa italiana de telecomunicações), e GRPCOM – Grupo Paranaense de Comunicação (empresa brasileira de comunicação e mídia afiliada à Rede Globo) Ferrero do Brasil (empresa italiana de bens de consumo marcas Kinder, Nutella, Tic-tac e Ferrero). Graduado em Engenharia Química (UFRJ) com Extensão em Marketing e MBA em Gestão Empresarial (ambos pela FGV). Inglês e espanhol fluentes. Atualmente é sócio-diretor da CrossVision Gestão de Negócios & Marketing, professor da disciplina de Sistemas de Inteligência de Mercado na pós-graduação da Universidade Positivo e ESIC Business & Marketing School, e colunista semanal de “Negócios & Marketing” no jornal Gazeta do Povo (Curitiba/PR). Como consultor prestou serviço a empresas como Fundação Dom Cabral (Unid. PR), Gráfica e Editora Posigraf, GAIN (Genebra/Suíça), IESE (Pamplona/Espanha Unid. IICS/São Paulo), Rede Globo (Unid. RPC TV/PR), PATH (Seattle/EUA), Leica Geosystems (Unid. Sul), Colégio Positivo, Buscapé (Unid. Navegg/PR), Gazeta do Povo entre outras.