Esqueceu sua senha?

Portal Competência

29 de agosto de 2013
Silvia OSSO


Mais da metade das empresas querem investir em treinamento

A evolução da carreira dos funcionários é a principal prioridade na gestão de talentos

Mais da metade das empresas querem investir em treinamento

A evolução da carreira dos funcionários é a principal prioridade na gestão de talentos

Li a notícia a seguir no site Folha de São Paulo, em 25 de setembro deste ano. Ela dizia: “A Across, consultoria de desenvolvimento organizacional com foco em gestão de pessoas, realizou uma pesquisa com gestores de 43 multinacionais e uma das conclusões foi que, apesar da crise, as organizações pretendem investir mais do que no ano passado em programas de liderança (56%), planejamento de carreira (58%) e desenvolvimento de habilidades e competências críticas para os líderes (58%).

Além disso, a pesquisa mostrou que e evolução da carreira dos funcionários é a principal prioridade na gestão de talentos. Essa afirmação foi feita por 84% dos entrevistados. Os resultados brasileiros vão ao encontro dos números estrangeiros apontados pela Global Novations. O desenvolvimento do pipeline de lideranças também foi apontado como prioridade para 61% das empresas norte-americanas e 67% das latino-americanas. Apesar da prioridade na gestão de talentos nas empresas brasileiras ser o desenvolvimento da carreira dos colaboradores, aumentar a produtividade dos mesmos foi apontado só por 12% dos entrevistados. Nos Estados Unidos, essa questão foi apontada como prioritária por 43% das empresas e nos países latinos por 41%. Entre os principais fatores a serem trabalhados pelos gestores de RH, desenvolver e planejar carreiras (60%) e desenvolver habilidades e competências críticas para líderes (60%) foram os destaques. Os executivos também citaram a realização de treinamentos de coaching e mentoring (42%), desenvolvimento de equipes (35%) e desenvolvimento e aprendizagem de colaboradores (35%)”.

Baseada nela é que faço algumas reflexões. As empresas brasileiras realmente estão interessadas em fazer um Programa de Treinamento de boa qualidade? Têm profissionais capacitados para desenvolver esses Programas internamente? Acham que é investimento formar mão de obra e desenvolver talentos?

Queridos colegas que atuam na área de RH e que muitas vezes passam meses tentando convencer os proprietários, diretores e gestores de empresas que é melhor formar do que encontrar no mercado e que treinar é investimento, quem sabe agora consigam argumentos para convencer que o melhor é TREINAR!

Pergunto então: estão preparados para produzir programas de desenvolvimento de pessoas em todos os níveis? Para preparar a identificação do público-alvo? Levantar necessidades de treinamento? Diagnosticar se os problemas são de treinamento ou de processos? Têm condições de estabelecer objetivos de treinamento? Definir os temas, títulos e conteúdo dos treinamentos? E a metodologia e as técnicas? Os planos e roteiros de aula? A duração, tempo e custos estimados? Possuem instrutores preparados? Sabem como efetuar as avaliações de treinamento e de resultados?

Como veem, preparar todo o processo de treinamento não é feito de um dia para o outro. Há muitos processos a descrever, profissionais a contratar ou desenvolver internamente para que se possa dar início ao treinamento propriamente dito.

Com um mercado mais maduro e clientes mais seletivos, o nível de exigência na seleção dos profissionais também cresceu. A menos que o produto ou serviço seja único no mercado, é preciso procurar por uma vantagem ou diferencial, alguma coisa que faça com que a empresa se mantenha acima de seus concorrentes. Em outras palavras, o sucesso só está ao lado de quem tiver colaboradores qualificados, capazes de encantar o consumidor, prestar-lhe serviços e estabelecer com eles um clima de confiança.

Se conseguir profissionais capacitados no mercado está difícil, a sugestão é treinar!
Podemos definir treinamento como uma forma de ajudar os colaboradores a conquistar o poder nas habilidades, conceitos, comportamentos e atitudes que aumentam sua qualificação em influenciar parceiros ou clientes para produzir resultados ou tomar decisões positivas. Assim, o treinamento só se torna um elemento que cria satisfação, promove o crescimento pessoal e profissional e contribui para diminuir a rotatividade se todo o sistema de gestão estiver focado em um mesmo objetivo. Não é possível efetuá-lo desassociado da área de compras, recursos humanos, marketing, operações e serviços. Se um dos objetivos da empresa é obter lucro, a equipe só será motivada se a atitude dos gestores também colaborar para isso.

Em épocas de falta de mão de obra, vale aproveitar a “prata da casa”, um mote antigo, mas que faz uma grande diferença se bem utilizado. É nessa hora em que, em vez de demitir, vale a pena treinar e adequar antigos funcionários a novas funções.

Para treinar de forma adequada e produtiva, é preciso obedecer a algumas regras que comentamos a seguir:

1ª- Treinar não é dar um curso ou palestra apenas: Dar uma palestra ou curso é melhor do que nenhum; sem dúvida. Um curso apenas, no entanto, não é suficiente para gerar as mudanças que se deseja em uma equipe. É preciso que haja continuidade, cursos básicos, reciclagens e aperfeiçoamentos, de modo que a equipe esteja sempre em evolução, em sintonia com as mudanças do mercado.

2ª- Treinar exige um programa: Quando se fala em programa, não se fala apenas em treinamento. O treinamento deve ser parte de uma programação mais ampla, que envolva toda a empresa, incluindo plano de carreira, salário, benefícios. Se o empresário quer crescer, deve tratar seus colaboradores como seu mais valioso ativo. Uma empresa, por mais bem instalada que seja, só ganha vida e desenvolvimento quando pode contar com profissionais de alto nível.

3ª- Não basta treinar a equipe de linha de frente: A maioria das empresas que treina seu pessoal dá ênfase primordial à equipe de vendas e linha de frente. Porém, não basta treinar o vendedor se o pessoal da retaguarda continua adotando os velhos métodos.

4ª- Não são suficientes apenas técnicas de vendas e atendimento: Os melhores treinamentos são os que oferecem aos colaboradores noções claras sobre a importância da empresa em que trabalham e do seu trabalho em particular, e não apenas ensinam técnicas de vendas e de atendimento. Quando os funcionários compartilham dos valores e dos objetivos da empresa, dedicando-se a atingi-los, o treinamento ganha outra dimensão e produz melhores resultados.

5ª- Deve haver sintonia com o programa de resultados: Tudo deve começar, na verdade, no planejamento estratégico da empresa: onde está, aonde quer chegar, o que fazer para atingir os objetivos. Ao definir todos os meios com os quais pretende trabalhar, a empresa necessariamente deve definir o que espera de seus colaboradores, dos palestrantes ou consultores; instruí-los sobre o que pretende alcançar, e verificar do que necessitam para que apresentem o desempenho desejado.

6ª- Treinar exige acompanhamento: Não há resultados sem acompanhamento. Muitos treinamentos bem ministrados tornam-se nulos quando os colaboradores deixam de ser estimulados, elogiados e acompanhados em seu trabalho. É necessário corrigir rumos, rever metas e elogiar ou reorientar.

Vivemos um período de grandes desafios e muitas mudanças. Nunca foi tão necessário investir no seu maior ativo – “os colaboradores” –, pois é impossível oferecer produtos e serviços de qualidade e criar diferenciais competitivos sem pessoas qualificadas. Acredite: treinar é vantajoso!

 

Leia Também: “Formação de mão de obra”



Silvia OSSO

É palestrante e consultora de empresas. Jornalista , especialista em varejo,é autora dos livros Atender bem dá lucro ; Programa Prático de Marketing para Farmácias; Administração de Recursos Humanos e do DVD Etiqueta Empresarial.Contato via e-mail: siosso@uol.com.br . Para adquirir meus livros : www.lojacontento.com.br