Esqueceu sua senha?

Portal Competência

30 de outubro de 2013
Deise Bautzer


Liderança e parceria estratégica com o capital

Liderar é liberar a capacidade criativa das pessoas

Lideranca e parceria estrategica com o capital

Falar da importância da liderança para o desenvolvimento organizacional é quase uma retórica exaustiva. Sabemos da relevância de uma gestão baseada no desempenho de um líder. É notável que a liderança passou a ser um elemento formador da base de vantagem sustentada, muito mais como alicerce na gestão do capital do que como finalidade de recursos humanos.

Nas palavras de Cesar Bullara, no livro Instituto Superior da Empresa: “Liderar é liberar a capacidade criativa das pessoas, visando atingir objetivos de acordo com os valores da organização. Tal nível de comprometimento leva consigo uma dupla exigência: 1) que a liderança seja digna da confiança dos seus liderados e 2) que os liderados sejam por sua vez, dignos da confiança do líder”.

Podemos perceber a partir dessa breve definição que não só o conceito formal de liderança se modificou ao longo das últimas décadas, como, sobretudo, a forma com que vislumbramos a nossa relação com as organizações numa sociedade motivada pela informação e pela diversidade se alterou.

Ao longo das últimas décadas, as sociedades observaram uma série de modificações em suas estruturas institucionais – algumas que nos direcionam ao futuro e outras que nos reportam novamente ao passado dogmático.

Todavia, usando a base relativista de que todos os pontos de vista podem ser válidos, nosso poder de julgamento acerca das variantes institucionais deve se limitar ao campo da observação e não da aferição de comportamentos.        Assim, o homem econômico de Taylor, a sociedade industrial formatada pelo sucesso britânico de Ford e a pós-industrialidade que gerou uma Terceira Via aos avessos, remete-se agora ao entendimento da sociedade formal com o conceito primordial do conhecimento e suas variantes.

David Ulrich aponta alguns desafios que as organizações deverão superar para delimitar sua vantagem competitiva dentro de um mercado altamente dinâmico e cada vez mais distribuído virtualmente. O primeiro deles é a globalização.

Este conceito que veio da geopolítica e teve a intenção primeira de quebrar fronteiras econômicas causou, talvez, uma dos maiores fenômenos sociais da história: a busca pela aproximação. Pode parecer paradoxal, porém, a globalização na verdade trouxe às sociedades urbanas o repensar de seus preceitos como uma grande “volta as origens”. O que antes nasceu como uma tentativa de transformar o mundo numa “aldeia global” (conceito de Manuel Castels, em Sociedade em Rede), causou um enorme sentimento de regionalidade.

A Rede Mundial de Computadores, que no início foi o grande instrumento da globalização, hoje leva diariamente para cada um de nós uma intensa sensação de impotência frente às nossas próprias mazelas sociais. Brigamos na tentativa de censurar aquilo que nasceu para ser ambiente livre, porém, percebemos que sem limite não conseguimos realizar quase nada.

Não somos incentivados a criar, a desenvolver nossa capacidade criativa como um impulso natural; na maior parte das vezes, apenas vivemos organizacionalmente pressionados por uma exigência de sobreviver. Ainda somos poucos aqueles que podemos efetivamente desempenhar nossas funções como criadores e gerenciadores de conhecimento.

Podemos perceber no estudo de estratégias organizacionais, sobretudo de crescimento, que empresas com características globalizantes quando investem alto capital em países com fragilidade institucional podem disparar o aumento da desigualdade social. Esse talvez seja, do ponto de vista sociológico, o maior desafio para os próximos cinquenta anos: como resolver a disparidade entre as classes sociais em países menos favorecidos do ponto de vista de geração de riqueza para que, de forma preventiva, se gerencie as insatisfações e intolerâncias mundiais.

Exercer liderança, e consequentemente buscar uma visão integrada, é mais do que somente um exercício profissional é a uma busca individual que começa em nós mesmos e em nossas capacidades relacionais para que estejamos aptos a atuarmos como agentes de mudanças e, principalmente, para que tenhamos tolerância à frustração.

 



Deise Bautzer

Psicóloga, Especialista em Administração e Marketing – CDE/FAE, Especialista em Comunicação Audiovisual – PUC/PR, Mestre em Gestão Empresarial pela FGV, Doutoranda em Administração Empresarial pela Universidade do Mississipi USA, Articulista do CRIE Centro de Referência em Inteligência Empresarial da UFRJ. Consultora de planejamento estratégico desde 1993. Doutora Honoris Causa pelo Instituto Iberoamericano de Educação e Academia Mundial de Educação. Autora dos livros Inovação: Repensando Organizações, Atlas 2009 e Marketing de Cidades: Construção de Imagem, identidade e Futuro, Identidade e Futuro, Atlas 2010. dbautzer@yahoo.com.br