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Portal Competência

20 de outubro de 2014
Laisa Prust


Fique atento à Síndrome de Burnout

RH e gestores precisam trabalhar em parceria para que haja nas organizações abundante informação sobre essa e outras síndromes psicossociais

Fique atento à Síndrome de Burnout

Com surpresa percebi, numa das aulas que ministrei no curso de gestão hospitalar de uma instituição de ensino superior, que muitos profissionais que atuavam na área de saúde nunca haviam ouvido falar sobre a síndrome de Burnout, sendo que, além de motoristas de ônibus urbano, profissionais da área de segurança, telemarketing, bancários, controladores de voo e executivos, são os profissionais de saúde um dos mais afetados.

Esses profissionais têm em comum o fato de executarem atividades que envolvem relação constante e direta com outras pessoas e trabalho sob pressão. Segundo a ISMA-BR (International Stress Management Association, seccional Brasil), associação voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento de stress no mundo, dados de 2014 apontam que em torno de 30% dos profissionais brasileiros são afetados pela Síndrome de Burnout.

Numa tradução literal, o termo em inglês significa combustão completa. É um estado de exaustão física, emocional e mental em resposta ao estresse ocupacional crônico. Caracteriza-se pelo desinteresse ou insatisfação em relação ao trabalho, avaliação negativa de si mesmo, atitudes agressivas, irritação frequente, dificuldade de concentração, sensação de perda de energia, esgotamento, desamparo, impotência. Outros sintomas incluem distúrbios do sono (insônia, hipersonia – sonolência excessiva durante o dia e/ou sono prolongado à noite, pesadelos, sono de má qualidade); taquicardia; arritmia; hipertensão; problemas gastrointestinais; dores musculares e de cabeça; ansiedade e angústia.

Considerando a grande incidência, é possível que um colega ou membro da sua equipe venha a desenvolver a síndrome. Abundantes são os casos em que o sujeito sofre sozinho até não poder mais esconder que algo está errado, muito possivelmente porque ele mesmo não sabe o que está acontecendo. A equipe também é prejudicada, seja pelo absenteísmo ou pelo desempenho inconstante e a produtividade reduzida do colega, seja por causa de suas reações emocionais que fazem as pessoas “pisar em ovos” para evitar conflitos. Por isso é importante estarmos informados e atentos para que o diagnóstico precoce seja realizado, evitando a progressão e agravamento da doença.

Há bastante tempo tenho como convicção que profissionais que tem pessoas sob sua gestão precisam conhecer os distúrbios psiquiátricos com maior prevalência na população, a fim de evitar interpretações equivocadas sobre os sintomas apresentados por seus colaboradores e demonstrar a eles maior compreensão e apoio. Afinal, não se trata de uma escolha e sim de uma predisposição para desenvolver a doença.

Como sugeriu um de meus alunos, seria um excelente tema para a SIPAT (Semana Interna de Prevenção Acidentes no Trabalho). Fica aí a dica! Que comece pela informação nossa busca por ambientes de trabalho mais humanizados, seguida pela busca por ações preventivas e a constante reflexão sobre que tipo de ambiente de trabalho estamos mantendo em nossas organizações.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.