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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Carla Virmond Mello


Filhos empreendedores… Pais investidores

Pais, sejam os ‘angels’ para o início do negócio de seus filhos.

Filhos-empreendedores...-Pais-investidores

“Há indicativos de que as oportunidades criadas pelo dinamismo recente do mercado interno da economia brasileira vem motivando
empreendedores iniciais de faixas etárias mais jovens e com maior escolaridade, em atividades com potencial de rendimentos relativamente mais elevados.” GEM 2012

O interesse por empreender tem se mostrado cada vez maior na nova geração e está começando mais cedo do que nunca. Mais da metade dos jovens pretende ter seu próprio negócio e, sobre esse total, 70% irão empreender por oportunidade, não por necessidade, como acontecia na maioria das vezes no passado.

Segundo o GEM 2012* (programa de pesquisa que avalia anualmente o nível nacional da atividade empreendedora em mais de 80 países), no Brasil, na faixa dos 18 aos 24 anos, estão 18% dos empreendedores iniciais; e, entre 25 a 34 anos, mais 33%.

Vários fatores justificam esses números: o momento econômico, o fato de estarmos em um período de bônus demográfico (maioria da população em idade ativa, maior possibilidade de “escolher” a carreira), melhor distribuição de renda, mais facilidade de crédito, novos modelos de negócio e, sobretudo, o perfil da nova geração.

Estamos falando da primeira geração global de brasileiros, que já cresce integrada e conectada ao mundo. Uma geração que, diferentemente das anteriores, é sensorial, estimulada a experimentar, viajar, consumir e se manifestar, por isso mais exposta e, consequentemente, mais disposta a enfrentar riscos, tanto financeiros quanto pessoais.

A economia criativa se destaca, assim como a economia da colaboração e das novas tecnologias. Surgem ferramentas e metodologias de modelagem de negócios mais adequadas a um cenário complexo e volátil. “Start-ups”, muitas vezes online, dispensam estrutura física, mas apresentam alto potencial de crescimento e escala.

Muitos destes jovens são os primeiros membros da família com liberdade para escolher com o quê trabalhar e vêm de famílias que não têm cultura empreendedora, mas que estão capitalizadas e, em muitos casos, com os pais passando por transições nas suas próprias carreiras.

Os profissionais entre 45 e 65 anos de idade, que estão em vias de fazer suas próximas escolhas de carreira, seja por demissão, escolha própria ou aposentadoria, são os pais de muitos destes jovens futuros empreendedores.

Dados do IBGE, mostram que há uma diminuição do grupo economicamente dependente e um aumento no grupo de pessoas potencialmente ativas. De fato, tenho percebido na prática que os profissionais que, em via de regra estariam se aposentando, hoje se encontram ativos e dispostos a contribuir por mais tempo com a economia, ainda que sob modos diferentes.

Ou seja, pais e filhos poderão empreender juntos! Ou melhor, dentro da linguagem do empreendedorismo: Pais: sejam os angels, colocando o seed money para o início do negócio de seus filhos.

Como toda sociedade que se inicia, expectativas precisam ser contratadas e há muitos passos a percorrer, mas é um modelo que pode dar certo, à medida que um se dispuser a aprender com o outro e a entender que conflitos, mesmo os geracionais, podem ser levados de forma sadia e criativa.

O empreendedorismo pode ser uma opção interessante tanto para os 25 milhões de jovens brasileiros, que se não estão no mercado estão se planejando para entrar, como para os 34 milhões de brasileiros de 40 a 59 anos ativos, que devem se preparar para uma segunda carreira ou buscar alternativas para continuar trabalhando.

Particularmente, tenho percebido esta tendência: pais e filhos jovens, pais no auge da sua plenitude emocional e intelectual, filhos com muita energia e vontade. Pais com os pés no chão, filhos com a cabeça nas alturas.

A busca do equilíbrio com respeito, maturidade e complementariedade pode ser uma alternativa de sucesso.

É um começo que, se bem planejado tem tudo para ser longo e estável, ao agrado dos pais, e prazeroso ao gosto da nova geração.



Carla Virmond Mello

Diretora da consultoria Lee Hecht Harrison|DBM para região sul do Brasil; Consultora de Carreira e Coach Vice-Presidente da International Coach Federation – Capítulo Paraná.