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Portal Competência

26 de novembro de 2014
Laisa Prust


Fato ou inferência?

Sempre fazemos inferências que nos são úteis para que possamos tomar as inúmeras decisões

Fato ou inferência

A argumentação está baseada em raciocínios lógicos, corretos ou não. A partir dos dados que temos, fazemos inferências que nos são úteis para que possamos tomar as inúmeras decisões do dia a dia. Se eu vejo nuvens negras no céu, concluo que pode chover, pois já observei esse fenômeno anteriormente. Levo então meu guarda-chuva.  Logo, inferir significa chegar a alguma conclusão através de determinados dados.

Nem sempre inferimos de acordo com a realidade. Uma inferência incorreta é uma falácia, um viés do raciocínio humano bastante estudado pela psicologia cognitiva, a qual busca investigar os processos mentais que influenciam o comportamento. O termo falácia tem origem no latimfallere, cujo significado é iludir, trapacear, enganar. Falácias são argumentos cuja lógica não tem fundamento válido ou consistente e apesar de aparentemente verdadeiros, mostram-se falsos se testados.

Somos diariamente enganados por argumentos próprios ou alheios bastante persuasivos, carregados de conteúdo emocional e que muitas vezes são inconscientes, isto é, não são intencionalmente produzidos para enganar, não são voluntários. A essas falácias os filósofos denominam paralogismos. Quanto mais complexa a situação e menos dados estão disponíveis, mais falsas inferências podem ser produzidas.

No mundo do trabalho, quando não temos acesso a dados referentes a questões que nos afetam, como crises financeiras enfrentadas pelas organizações; anúncios de redução de pessoal; fusões e aquisições e outras que potencialmente causam ansiedade, qualquer conversa privada pode iniciar um encadeamento de inferências coletivas que desgastam emocionalmente a equipe e tiram o foco do que realmente é importante: o trabalho em si.

Sempre que possível, qualquer decisão que afete um grupo profissional deve ser comunicada o mais breve e o mais próximo possível da realidade. Inferências descartadas, é hora de voltar à rotina. Com essa política a organização ganha credibilidade, confiança e consequentemente produtividade.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.