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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Wagner Siqueira


Faço parte de uma equipe?

No cotidiano das organizações, chega a ser cansativo o quanto se fala em equipes. Na prática, elas funcionam como tal?

faco parte dessa equipe

Quase sempre se toma esta questão como óbvia demais para ser respondida e, até mesmo, como desnecessária para ser considerada. A pergunta é: sou parte de uma equipe? E, se sou, de que equipe? Quais são as outras partes?
Você poderá ser tentado a responder: “Não, não sou parte de uma equipe, porque as pessoas que se reportam a um mesmo chefe nunca estão reunidas. Em verdade, somos um punhado de indivíduos, não uma equipe”.
Digamos que você tenha um problema para resolver com o seu líder e que ambos cheguem a uma solução. Neste caso, você não é membro de uma equipe maior, pois a solução encontrada pode ser implementada apenas por você mesmo e os outros subordinados ao seu líder não precisam ter conhecimento dela. Se o seu trabalho transcorre da maneira descrita, há apenas duas pessoas envolvidas: você e o seu líder. Portanto, você integra uma equipe de dois, uma díade, constituída por você e seu líder.

Você também é parte de uma equipe quando, ao levar um problema para seu líder, recebe dele qualquer das seguintes observações:

a) Deixe-me primeiro verificar isso com o beltrano;
b) Está certo, mas coordene seu trabalho com o sicrano;
c) Não se preocupe com isto, o Zé da Silva já está cuidando disso;
d) Está bem, mas fale com o sicrano e o beltrano para que eles fiquem também a par do que está acontecendo.

Se a tomada de decisões envolve quaisquer desses tipos de observações, então você participa de uma equipe maior, não mais uma equipe de dois, já que estão plenamente envolvidos seu chefe, você e vários colegas. O que você faz está interligado em algum ponto com o que outros fazem, o que os faz interdependentes naquilo que realizam conjuntamente.

É possível também que o seu líder não faça quaisquer das observações acima mencionadas. Isto significará que você não faz parte de uma equipe? Não necessariamente.
Você, seu chefe e outros colegas podem pertencer a uma mesma equipe, mas o trabalho conjunto de vocês pode ser tão falho ou deficiente que os impede de possuírem sentido e espírito de grupo tão necessários à formação de uma equipe. Neste caso, por certo, você deveria pertencer a uma equipe, mas isso efetivamente não acontece. É necessário em casos assim, sem sombra de dúvidas, formá-la, juntar os cacos, constituir um novo percurso de trabalho em comum.
Você também é parte de uma equipe se o seu líder disser: “Faça isto, mas não diga nada a ninguém até que tudo tenha se consumado, pois, se souberem disso com antecedência, vão tentar impedi-lo”. Quando ressalvas assim acontecem, os integrantes de uma equipe estão trabalhando contra ela, e há uma luta interna, em vez de estarem se apoiando, reciprocamente, uns nos outros na busca da consecução de resultados.

Nesse caso, você integra uma equipe que atua na cooperação antagônica, esfacelada pela dissensão e pela controvérsia.
Há outra forma de participação de trabalho em equipe, da qual você possa, talvez, nem se dar conta dela. Esta se dá quando você age de alguma forma e, em consequência, os demais membros ficam automaticamente capacitados a agir; ou, pelo fato de você já ter agido, os colegas ficam dispensados de fazê-lo. Isto se dá tão naturalmente que nem você nem os demais se dão conta de como a extensão do esforço de alguém ajuda o trabalho de outra pessoa. Mesmo que você não o perceba, também se constitui num excelente trabalho em equipe, que se desenrola de forma natural e espontânea.
Essas situações se configuram na dimensão mais intrinsecamente específica do trabalho em equipe. Contextos de trabalho apresentam importante significado para a eficácia de cada um e de todos, em sinergia, de tal modo que você e os demais nem percebem, mas atuam em conjunto as atividades cooperativas de colaboração.



Wagner Siqueira