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Portal Competência

3 de março de 2014
Administração


Escolas de Samba e suas lições de motivação

Autonomia, competência e inclusão são os três componentes fundamentais para ter uma equipe comprometida

Escolas de Samba

A proximidade com o Carnaval nos faz refletir sobre a relação que o evento tem com a área de Gestão de Pessoas. Embora para muitos essa época signifique apenas festa e samba, para a maioria ela requer planejamento antecipado, trabalho em equipe, integração, esforço e comprometimento.

Ao relacionar uma Escola de Samba e uma empresa é possível perceber pontos em comum. Enquanto a Comissão de frente é aquela que apresenta a empresa (Diretoria), o Mestre Sala e a Porta Bandeira são os líderes que dirigem as equipes e o enredo é o planejamento estratégico que define a missão e a visão da organização. Mas comparar as duas vai muito além disso.

De acordo com o presidente do Instituto de Neuroliderança, Carlos Diz, a escola de samba é a única organização do mundo que oferece os três componentes da motivação intrínseca: autonomia, competência e inclusão. “A pessoa pode torcer por qualquer escola de samba a qualquer momento. Se sente incluído porque participa de ensaios e frequenta os eventos que antecedem o grande evento. E, por fim, por mais que a pessoa não seja o melhor sambista do mundo, se sente maravilhado em poder fazer parte de um dos maiores espetáculos do mundo. Tudo isso, sem ganhar nenhum tostão”, comenta. Na grande maioria das vezes, ainda, o folião investe tempo e dinheiro, já que os ensaios entram madrugada adentro e eles confeccionam suas próprias fantasias. “As empresas, de maneira geral, ficam devendo ao menos um desses elementos fundamentais para ter mais motivação e comprometimento da equipe. Isso vai desde a percepção de autonomia, já que veem valor em controlar horários dos colaboradores e adotam um modelo de gestão autoritário, até limitar os processos sem dar abertura a opiniões”, ressalta.

Porém, é preciso entender também quais as lições que as escolas de samba trazem para as empresas e mostrar que é possível adotar modelos de gestão similares. O executivo José Carlos Cunha, quando ocupava a presidência da Xtal Fibras Óticas há alguns anos atrás, levou o carnavalesco já falecido Joãosinho Trinta para uma convenção da empresa com o intuito de mostrar que é possível fazer algo extraordinário com dedicação, entusiasmo e motivação. “Embora tenha falado sobre como era organizada uma escola de samba, desde enredo, nome, fantasia, comissão de frente, Mestre Sala e Porta Bandeira, bateria, harmonia, evolução, aquilo não fazia muito sentido aos colaboradores que estavam ali. Foi quando ele propôs um desafio: no final da tarde daquele dia, uma plateia de 500 pessoas esperaria o desfile da Escola de Samba Unidos da Xtal”, conta.

Foi aí que a equipe colocou em prática tudo aquilo que havia sido falado. Às 17 horas desse dia, o desfile aconteceu com direito a um carro alegórico, bateria com paradinha funk, alas definidas e fantasiadas, comissão de frente abrindo alas e pedindo passagem com uma coreografia surpreendentemente sofisticada, passos marcados e, também, muito samba no pé. Ao final do evento, José Carlos Cunha chamou as equipes para se reunirem novamente e desenvolverem um plano de medidas e metas que as pessoas deveriam implantar para atingir resultados extraordinários como o que eles haviam conseguido naquele dia. “O resultado disso na operação da empresa foi excepcional. Atingimos resultados de produtividade inacreditáveis. Passamos, por exemplo, de uma produção de 8.000 km por mês para mais de 100.000 km por mês. Todos os indicadores de performance foram largamente superados”, relembra o executivo.

Nas escolas de samba há pessoas alegres e altamente engajadas. Esse é o sentimento que as empresas devem trazer para dentro das organizações. Valores como dedicação, organização, criatividade e paixão são fundamentais para ter por perto pessoas satisfeitas e produtivas.



Redação, Portal Competência