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Portal Competência

14 de maio de 2014
William Ramalho


Equipes autogerenciadas e modelos horizontalizados

O novo mercado de negócios requer agilidade e capacidade de adaptação. A resposta para isso é uma organização com relações horizontais e redução de hierarquia.

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A maneira como as organizações respondem às mudanças e às demandas do mercado aumenta ou reduz sua capacidade competitiva.

Em meio ao dinamismo da sociedade atual e à complexidade dos negócios, não há dúvidas de que agilidade e capacidade de adaptação são desejos que aumentam a competitividade organizacional.

Esses fatores estão diretamente ligados ao modelo organizacional.

Para ser ágil e adaptável, a organização precisa abdicar do excesso de controle, da burocracia, da morosidade nos processos, dentre outras coisas.

A eliminação dessas características pode ser obtida com a intensificação das relações horizontais e com a redução da hierarquia.

Trata-se do desenvolvimento de equipes autogerenciadas, que são centradas em determinado tema ou processo organizacional e compartilham responsabilidades e decisões.

Em equipes autogerenciadas some a figura do líder hierárquico e surge a liderança informal e circunstancial. De acordo com cada expertise prevalecente, a liderança é ocupada pelo profissional com maior competência para liderar no dado momento do processo.

O novo modelo emerge no contexto onde o trabalhador do conhecimento tem maior espaço nas empresas em função das características do trabalho contemporâneo, que é pautado no conhecimento e nas relações humanas.

Para favorecer a constituição de equipes autogerenciadas, há uma predisposição eminente nos profissionais fomentada pelo hábito da colaboração nas redes sociais e na colaboração na WEB. Nas redes não há qualquer relação de hierarquia. As comunidades são auto-organizadas e a troca de experiências e conhecimentos flui livremente.

Assim, a equipe autogerenciada se constitui e estabelece a disposição para horizontalizar os ambientes de negócios.

Mas se as equipes autogerenciadas estabelecem a ausência de hierarquia para sua efetividade, como ficarão as lideranças no futuro, em organizações com este novo modelo ?

Os gerentes capacitados hoje pelas organizações perderão seu espaço e sua função na organização ?

Observamos uma tendência na redução das relações de hierarquia, porém a condução estratégica da organização permanece na figura do Líder Inspirador.

Disseminar objetivos comuns, valores organizacionais, estimular a motivação, exercitar o convencimento e promover o bom ambiente de trabalho são funções que permanecem necessárias, mesmo com equipes autogerenciadas.

Neste sentido, a tendência é que posições hierárquicas sejam eliminadas, ou seja, o Líder simplesmente por posição atribuída deixe de existir e permaneça o Líder que se posta como exemplo da equipe, exercendo influência, exemplo e estímulo.

Líderes com este perfil são peculiares e as organizações que tendem ao trabalho com equipes autogerenciadas precisam reavaliar seus programas de desenvolvimento gerencial.

Já que a liderança informal e circunstancial surge neste novo modelo organizacional, os trabalhadores do conhecimento que transitam nas equipes autogerenciadas precisam possuir tais competências de liderança.

Algumas organizações atuais já adotam modelos organizacionais horizontalizados, com equipes autogerenciadas. São modelos baseados no conceito da holocracia, que por definição substitui a tradicional estrutura verticalizada por grupos semi-independentes que revezam em funções estratégicas de acordo com suas potencialidades.

É um desafio ao pensarmos que este modelo organizacional requer alto grau de comprometimento e foco extremo em resultados.

Por outro lado, é uma oportunidade de proporcionar a agilidade e a adaptabilidade tão requeridas nos negócios atuais.

É preciso aprender. É preciso desenvolver competências. É preciso promover gestão da mudança para o novo modelo.

Mas o que nos parece é que o sinal de fumaça que vem desta fogueira aponta para um modelo organizacional mais adaptado à realidade do mercado de negócios.



William Ramalho

William Ramalho é Gestor na Sabesp, atualmente responsável pela Universidade Empresarial Sabesp e professor do Senac em cursos de pós-graduação em Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento. Possui 22 anos de vivência na área de RH com experiência em projetos de Capacitação e Desenvolvimento; Gestão do Conhecimento; Educação a Distância e Tecnologias Interativas para Desenvolvimento de Pessoas; Sucessão e Carreira; Avaliação de Competências e Desempenho; Redes Sociais; Gestão de Portais; Recrutamento e Seleção; Informações e Indicadores; Qualidade de Vida; Responsabilidade Social, dentre outros. Possui MBA em Gestão Empresarial, Pós-Graduação em Recursos Humanos, Especialização em Gestão do Conhecimento e Graduação em Tecnologia em Processamento de Dados. Realizou ainda curso de extensão em Metodologia para Ensino Superior e Tutoria em E-Learning. Foi considerado Top Five na categoria Jovem Talento em RH (Prêmio Top of Mind/2010). Ministra cursos e disciplinas presenciais e à distância desde 2009, além de ser palestrante e consultor em Gestão de Pessoas e de Negócios.