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Portal Competência

20 de fevereiro de 2014
Educação Corporativa


Empresas contribuem para a democratização da educação

Preparar o jovem diminui custos e tempo de treinamento quando este for contratado

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Incrementar o papel de uma empresa para o desenvolvimento da sociedade é um dos objetivos das ações de responsabilidade social desenvolvidas por companhias de grande e médio porte. Dentre os quesitos normalmente explorados está a educação.

Isso porque, apesar da intensa expansão da oferta de vagas ocorrida no Brasil nos últimos anos, o percentual de jovens na faixa etária entre 18 e 24 anos frequentando o ensino superior em 2011 foi de apenas 20%. Estes são os dados fornecidos pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas (Nepp) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que descobriu que o atraso escolar é uma das restrições ao acesso de jovens brasileiros a esse ensino: 19% dos jovens de 18 a 24 anos não completam o Ensino Fundamental e outros 27%, apesar de completarem, não ingressam no Ensino Médio, ou ingressam e não o concluem.

Este cenário da educação brasileira contribuiu para o surgimento de um período de transição no conceito de educação corporativa. Há não muito tempo, as empresas utilizavam as capacitações profissionais para treinar os seus colaboradores, a fim de corrigir alguma deficiência técnica. Hoje, a tendência é que as empresas facilitem o acesso à informação, não só dos seus profissionais, mas também da comunidade onde ela está inserida.

É o que observa a especialista Laís Lamana, administradora de empresas pós-graduada em Desenvolvimento Humano que há sete anos trabalha com processos de Educação Corporativa. “As empresas perceberam a dificuldade de encontrar mão de obra especializada em certas regiões do Brasil. Então, elas ampliaram os seus programas de treinamento e abriram para o público externo. As companhias investem na educação essencial das pessoas que moram nas proximidades com a visão de contratá-las mais para frente”, explica. A iniciativa, além de diminuir o custo e o tempo de treinamento do novo colaborador que é contratado já preparado para aquela realidade de setor, ainda ajuda a sociedade a ter acesso à educação. “O objetivo agora é proporcionar uma educação abrangente a fim de desenvolver as pessoas e a sociedade em geral”, complementa.

Este é, também, o objetivo da ONG ABC Vida que oferece cursos profissionalizantes aos jovens de Curitiba e Região Metropolitana, no Paraná. O projeto Espaço do Saber, criado em 2009, democratiza o conhecimento e oferece capacitação a adolescentes e jovens de baixa renda, com idade entre 14 e 23 anos, por meio do aprendizado profissionalizante. “Nós fazemos a ponte entre o adolescente e a empresa. Como os cursos são de curta duração e o conteúdo é relevante à vida corporativa, o aluno sai preparado para enfrentar os desafios do mercado de trabalho. É um importante complemento à educação que ele já recebe na escola”, conta Julie de Pádua, instrutora da ABC Vida.

A iniciativa facilita o acesso ao primeiro emprego e possibilita, também, que o jovem continue o seu aperfeiçoamento. “O projeto é dividido em duas fases: a primeira é destinada a preparar jovens de 14 a 16 anos e facilitar o acesso ao primeiro emprego. E a segunda é destinada a quem já trabalha, mas quer continuar a sua capacitação. Neste caso, a empresa e a instituição trabalham juntas. A companhia se compromete a liberar o jovem uma vez por semana para participar das aulas profissionalizantes que tem duração de 4 a 6 horas”, completa Julie de Pádua. Hoje a instituição conta com 150 adolescentes em busca do primeiro emprego e 315 que já estão no mercado de trabalho. “Dessa maneira, é possível contribuir para o ingresso destes jovens ao mercado do trabalho”, finaliza a instrutora do ABC Vida.



Redação, Portal Competência