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Portal Competência

10 de dezembro de 2014
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Empresas conectadas

A educação a distância (EAD) está preenchendo lacunas na qualificação dos brasileiros

Empresas conectadas

O que a Odebrecht, o Metrô do Recife e a Rede de Supermercados Walmart têm em comum? Todos estão utilizando a educação a distância (EAD) para capacitar os seus funcionários, em treinamentos que servem para disseminar a cultura da empresa, cursos técnicos e até pós-graduação, como um MBA para complementar o conhecimento de quem concluiu uma graduação, mas precisa de conhecimentos específicos que não entraram na grade dos currículos universitários.

“Não conseguimos medir o impacto real dos cursos de EAD, mas a produtividade aumenta e as pessoas podem assumir novos desafios com base nos conhecimentos adquiridos”, resume o diretor de Pessoas& Organização da Odebrecht Realizações Imobiliárias, Ciro Barbosa.

A companhia usa a EAD para fazer desde um trainee sobre a cultura corporativa, que tem como público os recém-contratados, até MBAs na área de Administração e Finanças, os quais têm uma carga horária de 360 horas. “Os cursos de EAD complementam uma formação não tão qualificada. É uma forma de agregar mais qualidade”, acrescenta.

Depois de fazer duas pós-graduações presenciais, a administradora Cecília Lemos decidiu fazer  um MBA em Princípios de Contabilidade e Finanças, desenvolvido especificamente para a empresa em que trabalha, a Odebrecht. “Quebrei o paradigma de que a aula tinha que ser presencial. No entanto, essa modalidade exige mais disciplina para cumprir o horário das aulas e absorver o conteúdo. Na prática, aprendi a usar a teoria de uma forma mais eficiente, como, por exemplo, entender melhor um balanço de uma em- presa”, afirma.

Os cursos de EAD também fazem parte da rotina do Walmart. Com o segundo grau completo, a chefe de atendimento do Hiper Casa Forte, Simone de Oliveira Lima, fez quatro cursos a distância no local de trabalho. “Isso foi fundamental para ir assumindo outras funções. As oportunidades surgem para quem se prepara”, conta. E a diretora geral da loja Hiper Casa Forte, Lúcia Passos, complementa: “O treinamento tende a trazer a perfeição no desenvolvimento da atividade. Quem não conhece, não sabe fazer”.

As empresas e os órgãos públicos se tornaram os grandes compradores dos cursos online. No Brasil, 309 instituições ofereceram cursos de EAD que matricularam 4 milhões de alunos no ano passado, incluindo  1,1  milhão  de  matrículas nas graduações. Do total dos cursos, cerca de 80% estão relaciona- dos diretamente ou indiretamente com a formação do profissional para o mercado de trabalho, segundo o Censo EAD BR 2013, que faz uma radiografia do setor.

“Todas as empresas de grande porte estão investindo na formação a distância, porque é mais econômica, mais fácil de funcionar, o acesso pode ser feito no horário escolhido pelo funcionário, entre outros fatores”, argumenta a diretora de Desenvolvimento Educacional do Senac, Ana Morais. No Senac-PE, o número de matrículas registrou um aumento  de  66% nos  cursos  de EAD nos sete primeiros meses de 2014, comparando com o mesmo período de 2013.

O mundo de Itamar se transformou

“Na empresa, tinham dado o meu caso como perdido, porque estava há muito tempo sem estudar e não conhecia o computador”, lembra o hoje assistente de manutenção do Metrô do Recife Itamar Muniz. Para chegar ao cargo que ocupa hoje, ele teve que fazer, aos 49 anos, um curso técnico de educação a distância (EAD) chamado Normas Regulamentadoras (NR-10), que mostra  as regras exigidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego para quem interage com instalações e serviços de eletricidade. Os primeiros contatos de Itamar com o mundo virtual foram complicados. “Era se como a minha mente estivesse fechada. Não conseguia raciocinar nem ligar o computador sozinho. Lia e esquecia o que tinha lido. Quando comecei a pegar no computador, dava uma bronca tão grande, que a máquina não queria nem funcionar. Tinha medo até de mexer no computador”.

O que levou Itamar a querer fazer o curso NR-10 foi o fato de que a mudança de função traria um acréscimo de 30% ao seu salário. “A parte que mais dói no corpo é o bolso. Você tem que se mexer, quando algo pode melhorar o seu poder aquisitivo”, conta. Ele passou pelo menos duas semanas só se familiarizando com o computador com uma dedicação exclusiva, começando às 8 horas e encerrando às 17 horas. “Quis desistir. Parecia que o computador era um bicho que não ia conseguir dominar”, afirma. Depois, começou a passar de uma lição para a outra e assistia, em vídeo, a aula realizada anteriormente “para não cometer os mesmos erros”.

“O grau de dificuldade foi diminuindo diante do conhecimento”, lembra Itamar, que depois disso fez outros cursos via EAD. “Tudo mudou na minha vida depois do primeiro curso na internet. Hoje, me sinto capaz de fazer qualquer treinamento”, enfatiza. O salário dele aumentou quase 50% e agora consegue “resolver” coisas pela internet, como, por exemplo, emitir uma segunda conta de luz. “A educação é transformadora. O grande diferencial é acreditar nas pessoas”, comenta a técnica em gestão de Recursos Humanos do Metrô do Recife (Metrorec), Vera Nogueira. Ela foi uma das pessoas que acreditaram que a vontade de Itamar o faria concluir o curso de EAD. Na estatal, 1,8 mil servidores fazem cursos via EAD, o que significa uma matrícula para cada funcionário.

 

*** Texto publicado em 17/11/2014 no Jornal do Commercio.



Redação, Portal Competência