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Portal Competência

25 de abril de 2014
Jorge Matos


A Empregabilidade e o Comportamento

As atuais demandas e exigências para a empregabilidade envolvem também o comportamento.

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O mercado de trabalho contemporâneo elevou as exigências tanto em termos de conhecimentos e competências quanto em uma série de características pessoais.

O psicólogo americano e escritor, Daniel Goleman, desenvolveu a teroria de que as habilidades não cognitivas dos indivíduos podem importar tanto quanto o QI para o sucesso no trabalho. As competências pessoais de comunicação, construção de relacionamentos e influência podem colaborar para o sucesso profissional e são características procuradas na maioria dos processos seletivos. Entretanto, é importante que os gestores de recursos humanos entendam que cada cargo demanda características pessoais distintas das pessoas. Não é possível que um único profissional possua simultaneamente todos os comportamentos.

Na sociedade do conhecimento em que vivemos é comum que as empresas esperem o maior rendimento de cada empregado e, para isso, buscam a pessoa perfeita, aquela que irá resolver todos os problemas da empresa. Esquecem, entretanto, que este profissional idealizado não existe. Na prática, cada um de nós tem forças e limites. Uma pessoa que apresenta excelente desempenho em tarefas minuciosas terá dificuldade, por exemplo, em ser generalista.

Exigir que uma pessoa seja boa em tudo ou o que denominamos Overshift – aquele que possui todas as características positivas encontradas nos diferentes perfis profissionais – representa, invariavelmente, um momento atípico de uma pessoa que está tentando mostrar ser capaz de atender a tudo e a todos.  No Brasil, de acordo com dados da pesquisa Talento Brasileiro – desenvolvida pela ETALENT com objetivo de mapear as características comportamentais dos brasileiros – os homens representam 1,44% e as mulheres 1,14%. Entretanto é importante considerar que invariavelmente pessoas com perfil Overshift revelam estar a caminho de um ataque de nervos, estresse ou outras doenças psicossomáticas. Pessoas nesta situação precisam de ajuda para desacelerar e restaurar o equilíbrio para realizar suas atividades com foco, sem tentar abraçar o mundo com as próprias mãos.

As competências comportamentais são de extrema importância em todo o processo de atração, educação, gerenciamento e manutenção de pessoas na organização. Entretanto, é importante que empresas e profissionais compreendam que cada papel na organização demanda atitudes e talentos específicos e que o profissional ideal para resolver todos os problemas ainda não foi inventado.

 



Jorge Matos

Mestre em Gestão Empresarial pelo ISCTE / FGV e formação em Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco - FESP-UPE. Atuou como Executivo do Grupo Accor, Grupo Industrial João Santos e IT Companhia Internacional de Tecnologia e executou diversos projetos nas áreas de Gestão Empresarial, Recursos Humanos, Planejamento Estratégico, Gestão de Mudança e Educação, Vendas e Atendimento para empresas. Atualmente, é Presidente da ETALENT, Professor da FGV e Autor do Livro Talento Para a Vida.