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Portal Competência

28 de agosto de 2013
Andréa Schoch


Educadores corporativos “de olho” na comunicação

Dona comunicação – história não escrita

Educadores corporativos de olho na comunicacao

Dona comunicação – história não escrita

Otávio, o caixa, por certo nunca ligara para problemas de comunicação. Falava… e dizia. Pronto. O interlocutor que ouvisse… e escutasse. Ignorava, talvez, que cada universo de ouvintes corresponde a um linguajar específico, um repertório.

Palavras como “isótopo” e “fissão” só costumam ser inteligíveis entre os iniciados em Física Nuclear, uma expressão como “Malagueta diz que vai apagar o macaco”, pode ser corriqueira entre policiais e malandros, mas para outros mortais carece de tradução (malagueta diz que vai matar o policial).

Otávio não atentava para isso e se julgava, decerto, possuidor de comunicação universal, acessível a qualquer repertório. Falava e dizia. Quem ouvisse, que escutasse.

Assim, quando Terezinha lhe apresentou o cheque, ele nem imaginou que a cliente talvez não entendesse o idioma bancário:

– Por favor, moça, seu cheque é nominal à Terezinha Gomide, precisa de endosso.

Terezinha escutou, mas não ouviu. Normal? Endosso? Endosso tinha sabor de açúcar. Mas não, não era possível, não tinha nada a ver.

De novo, o caixa disse:

– Simples, coloque sua firma aqui no verso.

Ainda sem ouvir, a cliente espichou-lhe um olhar interrogativo. “Verso”? “Firma”? Que diabos. Antes “nominal”. Agora no “verso”. “Endosso” e também “Firma”. Ora, eu não sou sócia de nada! Nem poeta!

Terezinha, atônita, achou de perguntar:

Perdão, seu Otávio, continuo não compreendendo.

Deu-se, por fim, o estalo. O caixa sentiu os cifrões da própria língua, pensou no repertório de Terezinha e tratou de adivinhá-lo. Fácil, pensou. Com sorriso de psicologice, foi virando o cheque e apertou-o com jeito cúmplice:

– Coloque aqui seu nome, assim como você faz no final da carta pro seu namorado.

Terezinha iluminou-se. Decidida, pegou firme na caneta e lascou no verso do cheque: “Com todo amor, um grande beijo. Terezinha”.

Diante daquela Terezinha sorridente, Otávio, o caixa, foi apresentado à dona comunicação. Sentiu, naqueles olhos brilhantes, que há repertórios e repertórios. E que falar nem sempre é dizer.

Gostou dessa história? Ela é de um autor desconhecido e eu fiz questão de trazer para nossa reflexão desta semana, pois a mensagem é profunda.

Nem sempre falar é dizer, não é mesmo? E os aprendizes adultos, assim como Terezinha, têm suas características e sua forma de ver o mundo, somente com uma sensibilidade aguçada, com olhos, ouvidos e percepção atentos é que podemos dar qualidade às nossas comunicações.

Para o educador corporativo, aquele que trabalha com diferenciados níveis de escolaridade e perfis profissionais, a história diz tudo…

Até a próxima semana…

Abraços.

 

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Andréa Schoch

Andréa Schoch é mestre em Educação pela PUC/PR, especializada em Educação a Distância. Trabalha há 20 anos com educação formal e há 15 anos com educação corporativa. Foi bolsista da Capes e pesquisadora do CNPq. Aprecia a psicologia, tem fé na vida, acredita na possibilidade de desenvolver pessoas via educação. Trabalha há seis anos na Direct to Company (Dtcom), empresa líder em capacitação a distância.