Esqueceu sua senha?

Portal Competência

24 de julho de 2014
Eline Kullock


O desafio de gerenciar a geração Y em um mundo 4D

Quem se habilita a ser gestor da nova era?

O_desafio_de_gerenciar_a_geracao_Y_em_um_mundo_ 4D_pc

Temos a impressão de ter passado, em poucas décadas, de um mundo profissional em uma única dimensão para um outro muito mais dinâmico, em 4D. Hoje, a única certeza é a incerteza. As mudanças acontecem de forma muito mais acelerada e os mais bem-sucedidos são aqueles que melhor se adaptam e enxergam mais longe, sem ficar olhando pelo retrovisor.

Quer um exemplo? Nos anos 80, um jovem tinha à disposição pouquíssimos cursos universitários. Podia-se optar por Medicina, Arquitetura, Engenharia, Direito ou Economia. A identidade com a formação era tanta que a carreira virava quase um “sobrenome”. “O engenheiro João”. “A doutora Rita”. E assim ia.

O cenário no Brasil, hoje, é bem outro. Antes de completar 18 anos, um jovem da geração Y pode escolher cursar “Design de Jogos Digitais”, “Cosmetologia”, “Engenharia multimídia”, “Ciências Moleculares”, “Física Biológica”, entre mais de 200 outras opções. Essa diversidade de alternativas certamente permite ao estudante uma escolha profissional muito mais interessante e rica, mas também mais confusa por conta das variáveis interferindo na sua tomada de decisão.

A partir de suas vivências, cada geração molda seu modelo mental. Nessa nova geração, a carreira não identifica mais completamente uma pessoa, como na época da doutora Rita, por exemplo. Da mesma forma que outras variáveis (gênero, idade, religião, local de nascimento, bairro onde mora…) também não o fazem. Hoje, nem a soma desses fatores é suficiente para que se crie uma imagem única e determinante sobre alguém. Isso acontece porque as pessoas são mais multifacetadas, com interesses diversos, com um nível de informação diferente.

Agora, sejamos sinceros: é possível continuar liderando como há 50 anos? Por incrível que pareça, em algumas organizações ainda é assim e, nelas, o papel dos gestores precisa ser repensado urgentemente. Como gerenciar uma equipe que trabalha home office? Como detectar líderes à distância? Como “ler” o silêncio dos funcionários que não vê todos os dias? Se já é difícil liderar um time presencialmente, como fazer de forma remota?

Se já era difícil gerenciar em gerações menos complexas no que tange à formação e informação, que liderança exigem os jovens da geração Y, completamente conectados e mergulhados em dados? Como podemos motivá-los, fazer com que permaneçam mais tempo em nossas empresas? Como lidar com a evasão do conhecimento, que se vai nos inúmeros pedidos de demissão desses talentos, em um mundo que motiva a mudar o tempo todo, até de emprego?  Diante de um mundo tão dinâmico, é necessário ler os livros sobre liderança com alguma reserva, porque aqueles gurus fazem parte do passado.

Os jovens querem aprender, querem ter prazer, querem tecnologia, querem reconhecimento pelo trabalho que fazem. Querem ver no líder um mentor. O novo líder tem que se moldar a essa realidade. Ele precisa ser um chefe mais generoso, dispender mais tempo com seus subordinados, lidar com cada um de forma única, compreendendo em que cada um é diferente dos demais. Precisa reconhecer que aprende todo dia com seus funcionários, que não tem todas as respostas e precisa mostrar um entusiasmo ímpar.

Se já era difícil exercer um papel de chefia, agora o desafio é ainda mais complexo. É individualizado. Nós nos acostumamos a um mundo normatizado, e os jovens querem customização, inclusive na gestão. Como tudo, neste novo momento da nossa sociedade, é tudo tentativa e erro.

Quem se habilita a ser gestor da nova era?



Eline Kullock

Eline Kullock formada em administração de empresas pela FGV-RJ e MBA Executivo pela Coppead – UFRJ. Iniciou a carreira na diretoria da Mesbla Loja de Departamentos, onde atuava como Diretora de Recursos Humanos, Planejamento Estratégico e Organização. Eline também foi diretora da Servenco, na holding que congrega empresas de construção, incorporação, administração de imóveis, Hotelaria e Administração de Shopping Centers. Com diversas palestras ministradas no Brasil e no exterior, a profissional é reconhecida com uma das principais fontes nos temas ligados à Recursos Humanos, além de desenvolver pesquisas sobre o comportamento dos jovens e a influência dos videogames em sua atuação profissional, sendo considerada fonte de referência no assunto, especialmente quando se fala em “Geração Y“.