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Portal Competência

19 de setembro de 2013
Laisa Prust


Criatividade e Inovação: pessoas x ambiente

Embora criatividade e inovação estejam estreitamente relacionados, são conceitos distintos

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Costumo observar os perfis descritos nos anúncios de emprego e percebo que as competências requeridas se alternam de acordo com as tendências do meio corporativo e as necessidades impostas pelo mercado.

Há algum tempo se costumava incluir “criatividade” entre o rol de competências mais citadas, a qual é substituída atualmente por “inovação”. Embora criatividade e inovação estejam estreitamente relacionados, são conceitos distintos. Para Robert Rosenfeld, autor do livro Making the Invisible Visible: The Human Principles for Sustaining Innovation, inovação é um ato criativo ou solução que resulta em um ganho quantificável. Inovação se deriva de processos criativos, portanto, criatividade é um dos elos da cadeia que leva a empresa à inovação. Teóricos da criatividade citam quatro elementos que interagem na criatividade: o processo criativo, o produto, a pessoa e o ambiente.

Concentremo-nos nas pessoas e no ambiente. Pessoas criativas normalmente possuem uma área de especialidade e a dominam em profundidade, mas também têm uma variedade de interesses em outras áreas muito diferentes, o que as ajuda a gerar ideias e produtos inovadores na sua área de especialidade. Uma das características mais importantes dos criativos é a flexibilidade. São pessoas sem nenhuma rigidez, que podem mudar rapidamente sua opinião e usar dinamicamente uma ideia. Elas gostam de aprender o tempo todo, sobre muitos tipos de coisas, e são tolerantes à ambiguidade e à incerteza, sentindo-se à vontade diante de problemas que não entendem muito bem no início, mas que percebem que podem ir dominando ao explorá-los de maneira mais ou menos sistemática. São também pessoas persistentes, que gastam tempo e energia para dominar o campo que lhes interessa.

Por outro lado, os ambientes que promovem a criatividade nas pessoas estimulam os processos divergentes, e existe cooperação entre seus membros. É um lugar de segurança psicológica, isto é, onde as pessoas se sentem confortáveis, mesmo quando falham, pois é fato que, dentro do processo criativo, deverá haver muitas falhas. Se as pessoas sentem que não podem errar, provavelmente não vão deixar fluir seu potencial criativo. Aqui se faz necessário distinguir erro de negligência, desatenção e descuido, como ressalta Mario Sérgio Cortella em seu livro “Qual a sua obra?”: “Ser capaz de arriscar é uma das coisas mais inteligentes pra mudar, você não tem de temer o erro e sim temer a negligência.”

Diante do fato que pessoas criativas em ambientes desfavoráveis se sentem frustradas e desmotivadas, fico pensando se há tantos ambientes favoráveis à criatividade e, por conseguinte, à inovação, quantos os anúncios que solicitam essas competências de seus candidatos, ou estamos diante de uma tendência colocada em prática sem a devida reflexão.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.