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Portal Competência

10 de julho de 2014
William Ramalho


Comunidades de Práticas

Um exemplo prático de ferramenta para aprendizagem informal

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Muito tenho falado nos meus últimos artigos a respeito de meios alternativos para o desenvolvimento profissional na organização. Além da alternância de meios, explorei aspectos como a informalidade, a colaboração e o foco no desempenho.

Mas como aplicar de fato? Quais são as ferramentas e técnicas necessárias para colocarmos a ideia em prática?

Elegi, para abordar neste artigo, uma prática que abrange essas características e tem sido bastante utilizada nas organizações e grupos de aprendizagem: as Comunidades de Práticas.

Apesar da intensificação da constituição de comunidades com o apoio das Redes Sociais, elas não são exclusivamente virtuais. Por concepção as Comunidades de Práticas são grupos de pessoas com formações similares; conhecimentos, experiências e atuações diversas; mas fundamentalmente com objetos e propósitos comuns.

Esses grupos podem reunir-se virtual ou presencialmente e através de debates e compartilhamento de experiências e ideias, gerarem soluções ou inovações para situações reais. No contexto de Gestão do Conhecimento, é uma clara união de competências individuais para gerar resultados e valores coletivos.

Para ilustrar, aproveitando o momento da Copa do Mundo, seria possível constituir uma Comunidade de Prática com objetivo comum de debater sobre formas para receber satisfatoriamente os turistas para o evento. Para constituir o grupo, poderiam ser reunidos representantes do governo, policiamento, redes hoteleiras, agências de viagem e turismo, empresas de entretenimento, transporte urbano, restaurantes, bares, etc.

A comunidade pode ser interna, com membros da mesma organização, ou externa, constituída por pessoas de organizações diferentes.

Do ponto de vista das relações na comunidade, ela pode ser uma comunidade horizontal, onde há pessoas com interesses e necessidades similares, independente da hierarquia e as conversas são mais focadas no compartilhamento de conhecimento. Pode ainda ser uma comunidade vertical, com estrutura baseada na hierarquia onde cada membro tem uma função em suporte do grupo maior. Neste modelo os diálogos estarão centrados nos objetivos específicos.

Outra característica a ser definida para sua estruturação é quanto ao tempo de existência da comunidade, ou seja, se a comunidade será temporária, com prazo determinado para gerar resultados, ou permanente, constituída para gerar resultados continuamente a respeito do seu objetivo central.

O domínio da comunidade é o objetivo central dos debates e a partir da sua definição, em conjunto com a estruturação, interna ou externa, vertical ou horizontal, permanente ou temporária, as pessoas poderão ser convidadas a participar.

Esta é outra definição importante, pois para a efetividade da comunidade, precisará garantir a reunião de pessoas com perfil, especialidades, competências e repertório de experiências, histórias e ferramentas aderentes ao domínio, ou objetivo central da comunidade.

A boa definição dos convidados gerará identidade aos membros da comunidade.

Percebam que fiz referência ao público-alvo enquanto convidados, pois a participação em Comunidades de Práticas pressupõe a iniciativa e desejo do participante. Do contrário, ele poderá ausentar-se excessivamente ou apenas estar presente, sem contribuir com as discussões, o que interferirá negativamente nos resultados esperados.

Definidas a estruturação e a composição do grupo, compete ao seu mediador conduzir os encontros de maneira que os participantes estejam imbuídos de satisfação, foco e comprometimento com a Comunidade. Para tanto a escolha do mediador é fator crítico de sucesso, assim como a identificação entre os pares; o valor do conteúdo aos membros; o incentivo à participação sem sofrimento.

Para finalizar, assim como qualquer outro meio informal de aprendizagem, compete à gestão da comunidade promover estratégias para registrar o conhecimento gerado para compartilhar com o público de interesse e potencializar sua contribuição.

São formas para o registro e compartilhamento: Book de Boas Práticas; Guia de Referências; Repositório de Conhecimentos; Sites ou Hotsites; Tutoriais; Cursos virtuais a partir do conteúdo gerado na Comunidade; Seminários Abertos; dentre outros.

A grande mudança de foco na aplicação da Comunidade de Prática está em substituir o conhecimento da prática pela potencialização do aprendizado que é inerente às práticas compartilhadas. Em outras palavras, não se trata simplesmente de aprender como fazer, mas sim de entender e aprender qual o conhecimento que levou a ser feito daquela maneira.

O valor agregado para a vanguarda organizacional certamente será maior.



William Ramalho

William Ramalho é Gestor na Sabesp, atualmente responsável pela Universidade Empresarial Sabesp e professor do Senac em cursos de pós-graduação em Gestão de Pessoas e Gestão do Conhecimento. Possui 22 anos de vivência na área de RH com experiência em projetos de Capacitação e Desenvolvimento; Gestão do Conhecimento; Educação a Distância e Tecnologias Interativas para Desenvolvimento de Pessoas; Sucessão e Carreira; Avaliação de Competências e Desempenho; Redes Sociais; Gestão de Portais; Recrutamento e Seleção; Informações e Indicadores; Qualidade de Vida; Responsabilidade Social, dentre outros. Possui MBA em Gestão Empresarial, Pós-Graduação em Recursos Humanos, Especialização em Gestão do Conhecimento e Graduação em Tecnologia em Processamento de Dados. Realizou ainda curso de extensão em Metodologia para Ensino Superior e Tutoria em E-Learning. Foi considerado Top Five na categoria Jovem Talento em RH (Prêmio Top of Mind/2010). Ministra cursos e disciplinas presenciais e à distância desde 2009, além de ser palestrante e consultor em Gestão de Pessoas e de Negócios.