Esqueceu sua senha?

Portal Competência

25 de fevereiro de 2014
Laisa Prust


Competente sim, mas não perfeccionista

Estudo relaciona o perfeccionismo à depressão

Competente sim mas nao perfeccionista

Esforçar-se para fazer da melhor forma o seu trabalho é admirável e pode ser crucial para conquistar e manter uma boa posição profissional no cenário competitivo e desafiador em que vivemos. Nenhum problema em ter metas ousadas, porém realistas. Isso significa vitalidade e energia. O perfeccionista, por outro lado, define para si, e muitas vezes para os outros, padrões de exigência acima do que pode entregar no prazo disponível. Seu próprio desempenho está normalmente aquém do que ele gostaria e não é incomum vê-lo refazer uma tarefa várias vezes. Sai tarde do trabalho, às vezes leva atividades para fazer em casa, negocia prazos a fim de entregar a última versão perfeita e, por isso, está frequentemente exausto. Muitas vezes reclama de sua rotina e da qualidade do trabalho de seus colegas e subordinados que não atendem a suas expectativas irreais.

Na vida do perfeccionista, pode faltar a leveza e a satisfação de quem cumpriu sua tarefa e se encontra no nível médio da qualidade da entrega, mas em paz consigo mesmo. O perfeccionista, ao contrário, encontra-se na maior parte do tempo num estado de frustração e ansiedade por estar sempre na iminência da atividade perfeita, uma miragem que ele busca incessantemente e que acaba por minar-lhe as forças, tornando-o, às vezes, menos produtivo do que o esperado. Por ser tão crítico, o perfeccionista perde o sono por causa de algo que poderia ter feito melhor e compromete o relacionamento com colegas e subordinados porque tem muitas críticas a fazer e poucos ouvem dele um elogio.

Se há tantos aspectos negativos, porque a grande maioria das pessoas não sente vergonha ou constrangimento em se definir como perfeccionista; pelo contrário, relata sua característica com uma ponta de orgulho?

Possivelmente porque muitas pessoas bem-sucedidas sejam perfeccionistas, embora essa característica as faça sofrer e provoque sofrimento nos outros. Como fórmula que deu certo, esse comportamento vai sendo mantido e reforçado; afinal, se o trabalho consegue ser entregue com qualidade superior apesar da noite em claro, o saldo é positivo e merece elogios e promoções. Porém, o lado obscuro do perfeccionismo mostra que ele pode estar ligado à depressão.

Em um artigo publicado pela American Psychological Association (APA), o psiquiatra Sydney J. Blatt cita um estudo que relaciona o perfeccionismo à depressão e, nos casos mais extremos, até ao suicídio. É, portanto, um preço muito alto a pagar e que envolve o risco de comprometer a saúde, além de outros pontos como a perda de prazos, a inibição da criatividade e espontaneidade por excesso de autocrítica, o afastamento das pessoas que nunca o satisfazem.  Perfeccionistas precisam de ajuda. Se você é gestor de pessoas, comece por reconhecer essa característica na equipe e procure não reforçar comportamentos que levam à busca pela perfeição. Ela não é uma característica humana. Recompense a responsabilidade e a competência, essas estão ao alcance de todos.



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.