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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Fernando Botto


Céticos organizacionais: ame-os ou transforme-os!

Se a sua empresa está infestada de céticos organizacionais, atenção: está na hora de mexer nas zonas de conforto

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Sempre que pretendemos fazer algum tipo de mudança na empresa, por mais simples ou complexa que seja, surge a figura do cético organizacional: “Isso não vai dar certo!” “Essa sua ideia já foi tentada várias vezes e nunca funcionou!” “De novo com isso?”- e por aí vão os exemplos de falas de céticos organizacionais.

Toda a mudança provoca resistência. Até mesmo as mudanças para melhor trazem uma certa nostalgia e os nossos sentimentos de conexão com o passado às vezes são tão intensos que não conseguimos pensar na chegada do novo, porque permanecemos abduzidos pela sensação de perda de algo que não queremos abrir mão. Nas empresas, pessoas que se apegam excessivamente ao passado podem se tornar céticos organizacionais. Esta categoria, além de desacreditar do que é novo, permanece vivendo no passado e não aceita as mudanças, uma vez que permanecer na zona de conforto é mais fácil e seguro do que arriscar o enfrentamento do desconhecido.

Os céticos organizacionais resistem às mudanças e exercem uma liderança informal no sentido de que todos devem permanecer nas respectivas zonas de conforto. Foi assim quando surgiu o computador para substituir as máquinas de escrever, ou quando o scanner substituiu o fac-símile (vulgo fax), ou quando foi discutida a implantação do PDCA, BSC, 5S e outras mudanças que poderiam representar um salto de qualidade – se tivessem sido implantados.

Eis um desafio para o líder: fazer o cético rever as próprias crenças. O cético é resistente e sua maneira de ser o impede de ouvir o que os outros pensam sobre determinado assunto, pois tem uma formação prévia de rígidos conceitos muito bem amarrados dentro de uma cabecinha dura que até mesmo as mais fortes marretas da sabedoria sofrem para abrir. O cético é descrente e, para ele, mais importa ver sua crença cética – “isso não vai funcionar” – prevalecer do que encontrar uma nova solução para um antigo problema.

Por isso, antes de efetuar uma mudança, é fundamental compreender que, por melhor ou pior que seja, ela provocará resistência para ser aceita. Por isso, muitas empresas investem em estratégias de comunicação, bem como promovem constantes ações formativas. Isto contribui para reduzir o temor pelo desconhecido e a projeção de nossos medos e inseguranças diante de um cenário novo e incerto. O que é mais interessante, contudo, é que uma vez convencido de que a nova realidade é potencialmente benéfica, o cético organizacional revê as suas crenças e se torna um entusiasmado defensor da mudança: “agora, da maneira que foi colocado, eu me convenci que essa ideia é muito boa mesmo…”



Fernando Botto

É palestrante, professor e escritor. Psicólogo e Advogado, mestre em Educação, pós-graduado em Direito e Negócios Internacionais e especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise. Morou seis anos no exterior, principalmente na África, onde atuou como executivo de empresas privadas e consultor de empresas públicas. Nesse período, interagiu com variadas culturas e diferentes estilos de chefia, liderança e de gestão. Aprecia trabalhos de responsabilidade social e desenvolve projetos nas áreas de educação corporativa, sobretudo relacionados à negociação, liderança, comunicação intra e interpessoal, gestão de equipes de alta performance e criatividade. Em suas horas de lazer, gosta de fotografar e de escrever roteiros de stand-up comedy. Twitter:@fernandobotto e-mail: fernandokwz@gmail.com