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Portal Competência

30 de junho de 2014
Laisa Prust


A assertividade é uma conquista

Assertiva é a pessoa que expressa de forma sincera e honesta seus pensamentos e sentimentos, mas sempre levando em consideração o bem-estar do outro

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No mês que passou, participei de um workshop com uma das maiores referências no Brasil sobre o tema da Assertividade: Vera Martins, autora do livro Seja Assertivo!

O termo assertividade vem da palavra asserção, que significa afirmação. Assertiva é a pessoa que expressa de forma sincera e honesta seus pensamentos e sentimentos, mas sempre levando em consideração o bem-estar do outro. Certamente você conhece pessoas que falam com naturalidade o que pensam, porém, de maneira educada e com palavras e gestos expressando a mesma mensagem. Deixando claras as suas verdadeiras opiniões e preferências, elas fazem com que seus ouvintes as conheçam bem e, por esta razão, saibam como lidar com elas na maioria das situações. Essa previsibilidade cria um clima de segurança psicológica bastante saudável no mundo do trabalho.

É também comum conhecermos pessoas que, por outro lado, ao afirmar suas necessidades, falam num tom de voz alto e arrogante, sem medir as palavras e buscando intimidar o interlocutor. São pessoas cuja característica mais frequente em momento de crise é a agressividade. Elas estão sempre prontas para a luta e ora se sentem orgulhosas por ter ganhado a batalha, ora se sentem culpadas e arrependidas pela devastação que causam por onde passam.

Do lado oposto, encontram-se as pessoas cujo estilo de comunicação é marcado pela passividade, isto é, uma dificuldade de exprimir seu pensamento, que se traduz na hesitação de sua voz e na postura constrangida.  São os “engolidores de sapo”, que com medo das perdas que a vida pode proporcionar, abdicam de se impor. Essas pessoas podem se tornar amargas e ressentidas porque cultivam uma raiva contida, ora se responsabilizando pelo fracasso, ora colocando a culpa nos outros.

Há também o tipo passivo-agressivo, o qual agride através do comentário depreciativo, da ironia, do sarcasmo, do humor cáustico, dos olhares sarcásticos, da chantagem emocional, de mensagens indiretas que o colocam numa posição relativamente protegida de forma a agredir sem correr riscos. Ao ser confrontado, normalmente afirma não ter feito nada ou, pelo menos, nada intencionalmente, ganhando o benefício da dúvida. Sua característica mais marcante é o cinismo. Atrás da postura de inocente, manipula as pessoas para atingir seu objetivo sem ter que se expor.

O workshop da Vera focava no clima saudável e construtivo que um líder pode construir através de seus comportamentos assertivos e, por outro lado, nas consequências sofridas pela equipe, quando o líder não possui essa competência. Há muitos fatores que influenciam a maneira como agimos: nossa herança genética, personalidade, educação recebida consoante ao padrão cultural, história de aprendizagem, nosso ambiente atual, entre outros.

Realmente não é fácil ter um comportamento predominantemente assertivo quando nossa educação e cultura nos impeliram para “nunca levar desaforo para casa” ou “não falar a verdade para não magoar as pessoas”.  A autora defende que assertividade é uma filosofia de vida, pois implica uma postura na qual os seus direitos e os direitos dos outros são igualmente respeitados e, para que isso ocorra, muitas vezes, é preciso que desafiemos crenças tão fortemente solidificadas pela cultura. É um repensar de valores.

Para colocar em prática a assertividade, Vera sugere que comecemos a exercitá-la em ambientes de pouco risco. Por exemplo, iniciar dizendo não a um vendedor insistente sem dar a usual desculpa que está sem dinheiro. Aos poucos passar então para situações mais complexas. Para algumas ocasiões, será necessário um bocado de preparação, afinal situações como a demissão de um colaborador ou um feedback sobre um assunto delicado são desafios para quem normalmente não controla suas palavras ou para os que temem a reação do outro. Finalizando, o que quero deixar a você leitor é a afirmação de que atitudes assertivas podem ser desenvolvidas. Uma grande parcela de esforço é requerida, talvez uma ajuda profissional seja necessária, mas as recompensas certamente virão!



Laisa Prust

É psicóloga e mestre em Psicologia pela UFPR, com especialização em Treinamento e Desenvolvimento de Recursos Humanos e Gestão Estratégica de Pessoas pela FAE. Atua na área de RH há mais de 15 anos. Em seu currículo consta também experiência como professora em instituições de ensino superior. Atual membro da diretoria de Projetos e Pesquisas da ABRH-PR. Interessa-se por comunicação assertiva e cultura organizacional.