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Portal Competência

13 de agosto de 2013
Carla Virmond Mello


Asas para os talentos

O que poucos gestores se questionam é: o que é talento? Será mesmo que ele pode ser retido?

TALENTO

O sonho de qualquer empresa é montar, e reter, um supertime de talentos para o desenvolvimento de suas estratégias e o aumento de sua produtividade. Contudo, o que poucos gestores se questionam é: o que é talento? Será mesmo que ele pode ser retido?

Segundo o dicionário Michaelis, “talento” é definido como uma grande e brilhante inteligência, uma grande capacidade e qualidade superior, um espírito ilustre e aguçado. Trocando em miúdos, o profissional talento é sempre visto como aquele visionário, que se destaca por grandes ideias e por pensamentos estratégicos. Quem nunca viu uma equipe de pessoas brilhantes, mas que permanecem voando no campo das ideias e estratégias, sem se entenderem, para concluir satisfatoriamente um projeto? Na verdade, o interessante é compor uma equipe que apresente diferentes talentos e que dê resultados efetivamente. Afinal, os executores também podem ser talentos!

Esta é a equipe dos sonhos: todos trabalham em prol de um objetivo e obtêm sucesso reconhecido pela maior rentabilidade. E quando a equipe perfeita parece estar afinada…, eis que entra a grande vilã dos gestores na atualidade: a rotatividade!

Acontece que os talentos, além de serem difíceis de encontrar, não costumam ficar confortáveis quando se sentem retidos, fogem da nova palavra de ordem: “RETENÇÃO”. O talento está diretamente ligado à criatividade, à capacidade de inovar, à flexibilidade e à LIBERDADE. Portanto, quando a expressão “retenção de talentos” é mencionada, já reduz drasticamente a possibilidade da própria retenção do profissional talento na empresa. Que ironia, não?

Um estudo realizado pela LHH/DBM afirma que um profissional não fica, em média, mais do que três anos em um mesmo trabalho, ou seja, ele não fará carreira em uma só empresa, independente dos benefícios e salários ou promoções oferecidas. Esta é uma realidade comprovada, questionada também em relação aos resultados obtidos num ciclo tão curto, mas que as empresas têm que lidar. Sem tempo a perder, começam a surgir elaborados planos de retenção, flexibilidade no escopo e formas de trabalho – como o trabalho por projeto, por exemplo. Mas a tal da retenção, nem sempre dura e nem sempre produz indivíduos satisfeitos e produtivos.

Motivação vem do grego “anima”, que também quer dizer “alma”. Acho que isso já nos dá uma boa ideia de onde começar a atuar. Felizmente as organizações começam a entender – às vezes pelo caminho mais difícil – que a motivação do talento está relacionada aos valores da alma; à identificação dos propósitos e valores da organização e ao alinhamento destes com seus próprios valores e interesses. Assim, em vez de lutar por “reter”, as organizações devem focar em “encantar” seus talentos e tornarem-se interessantes para eles. É isso que garante a permanência de um profissional em uma organização. Se esse alinhamento acontecer, o profissional pode sim permanecer, e muito. E que seja eterno enquanto fizer sentido!

 



Carla Virmond Mello

Diretora da consultoria Lee Hecht Harrison|DBM para região sul do Brasil; Consultora de Carreira e Coach Vice-Presidente da International Coach Federation – Capítulo Paraná.