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Portal Competência

6 de outubro de 2014
Tom Coelho


Agir ou reagir

Seu destino depende do que acontece à sua volta ou você é dono de seu próprio futuro?

Agir-ou-reagir

“Pouco conhecimento faz com que as criaturas se tornem orgulhosas.

Muito conhecimento, que se tornem humildes.”

(Leonardo da Vinci) 

 

Uma das características inerentes ao profissional empreendedor é a busca incansável pelo autoconhecimento. Quanto mais você se conhece, mais pode potencializar suas forças e amenizar suas fraquezas.

Minha proposta hoje é compartilhar com você um breve exercício. Trata-se do que chamamos locus de controle, ou centro de controle. Apresentarei apenas dez questões e sua missão será efetuar a leitura dos textos respondendo de forma absolutamente franca com qual das assertivas, A ou B, você concorda mais. Os resultados serão comentados na sequência e, tenha certeza, revelarão um aspecto fundamental de seu perfil atitudinal: como você se comporta perante o mundo externo.

 

A B A ou B?
 01 Fazer muito dinheiro está ligado a escolher os caminhos certos. As promoções são obtidas com muito trabalho duro e persistência.
 02 Percebi que existe uma conexão direta entre quanto me esforço e o resultado que tenho. Muitas vezes, as reações dos clientes parecem confusas.
 03 O número de divórcios indica que mais pessoas não estão se empenhando em fazer seus casamentos funcionarem. Casamento é em grande parte um negócio de risco.
 04 É tolice pensar que alguém pode mudar de fato as atitudes básicas de outra pessoa. Quando estou certo, posso convencer outros.
 05 Ser promovido é realmente uma questão de ter mais sorte do que a outra pessoa. Em nossa sociedade, o futuro ganho de poder de uma pessoa depende de sua habilidade.
 06 Se alguém sabe como lidar com pessoas, é fácil liderá-las. Exerço pouca influência na maneira como outras pessoas se comportam.
 07 Os objetivos que conquisto são resultados de meus próprios esforços; sorte não tem nada com isso. Às vezes, acho que tenho pouco a fazer com a situação apresentada.
 08 Pessoas como eu podem mudar o curso do mundo dos negócios se nos fizermos ouvir. É apenas um pensamento esperançoso acreditar que alguém pode influenciar prontamente o que acontece no mercado.
 09 Grande parcela do que me acontece é provavelmente uma questão de acaso. Sou senhor do meu destino.
 10 Dar-se bem com pessoas é uma habilidade que deve ser exercitada. É quase impossível descobrir como agradar a certas pessoas.

 

Para que possamos proceder à análise dos resultados, confronte suas respostas com a tabela abaixo, anotando “0” ou “1” de acordo com a opção feita. Evidentemente, o somatório dos pontos deverá ser um número entre 0 e 10.

 

Questão Alternativa A Alternativa B   Questão Alternativa A Alternativa B
01 0 1 06 1 0
02 1 0 07 1 0
03 1 0 08 1 0
04 0 1 09 0 1
05 0 1 10 1 0

 

De posse de sua pontuação final, veja no quadro a seguir como pode ser classificado seu centro de controle, se interno ou externo.

 

Pontuação Classificação Locus de Controle
8 – 10 Interno alto Pessoas internas(alta resiliência)
6 – 7 Interno moderado
5 Intermediário
3 – 4 Externo moderado Pessoas externas(baixa resiliência)
0 – 2 Externo alto

 

Interpretando o resultado

Esta atividade foi desenvolvida por companheiros da Sociedade Brasileira para o Desenvolvimento Empreendedor. Tenho utilizado, eventualmente, este exercício em sala de aula e os resultados são sempre interessantes.

Pessoas com centro de controle externo, ou seja, aquelas com pontuação entre 0 e 4 pontos, são pessoas muito influenciadas pelo mundo exterior. Para elas, o destino depende do que acontece à sua volta.

Os negócios não andam bem porque as taxas de juros estão muito elevadas, a Economia está recessiva, as reformas ainda não foram votadas no Congresso e os conflitos no Oriente Médio estão tomando proporções preocupantes, colocando em risco a estabilidade política e econômica do mundo globalizado.

A empresa não anda bem porque a alta direção não toma as decisões acertadas, os concorrentes apresentam produtos e preços melhores, o mercado não está comprador, os colegas não trabalham em sinergia e os departamentos não se comunicam de maneira efetiva.

O profissional não se recoloca no mercado de trabalho porque o desemprego é crescente e não há oferta de vagas, suas qualificações não são reconhecidas pelos selecionadores, os cursos de atualização são muito dispendiosos, os currículos enviados não são lidos, e somente através da indicação de terceiros é possível obter uma oportunidade para demonstrar talento e capacidade.

No polo oposto, estão as pessoas com centro de controle interno. Quem atingiu de 6 a 10 pontos enquadra-se neste grupo. São pessoas que realmente enxergam-se como donas de seu próprio futuro. Os fracassos são sua responsabilidade, decorrentes de ações inadequadas que invariavelmente levaram ao aprendizado. O sucesso, por sua vez, é fruto de trabalho, ousadia, criatividade, perseverança, enfim, todo um conjunto de atitudes vencedoras.

A Economia brasileira apresenta-se instável, mas isso não tem importância. Se os juros aumentarem ou a carga tributária for elevada, paciência, pois vamos nos adequar. Se novos ataques terroristas assombrarem o mundo ou uma nova chaga ameaçar a saúde das pessoas no planeta, resignação, pois vamos nos adaptar. Afinal, são ações que atingirão a todos indistintamente e sua intensidade dependerá da forma como reagirmos a elas.

A empresa está passando por um momento difícil, então que viremos o jogo. Vamos observar as melhores práticas da concorrência e colocá-las em ação. Ouvir mais os consumidores, diferenciar nossos produtos, agregar valor por meio de benefícios reais e percebidos. Melhorar um pouco mais a cada dia. Imaginar e reinventar.

O profissional que busca recolocação procura delinear seus aspectos positivos. Relaciona o perfil de empresa e do cargo que almeja ocupar, associa-se a parceiros profissionais e faz uso de sua rede de contatos para garimpar oportunidades. Cuida de seu marketing pessoal e, especialmente, adota uma postura proativa, ciente de que sua adversidade é passageira e que o futuro será reflexo de suas escolhas e atitudes e não de devaneios ou julgamentos de terceiros.

Lembre-se de que o resultado deste breve exercício é situacional, ou seja, ele espelha o momento presente de quem o responde. Esta é a boa notícia: se você está com baixa resiliência hoje, pode trabalhar seu comportamento para alterar este quadro. Em outras palavras, tudo depende de sua atitude.



Tom Coelho

É educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.